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Ray Of Light; Madonna

18/05/082
  • Ray Of Light; Madonna
    1. Nota: 5,0
    2. Selo: Warner Music
    3. Ano: 1998
    4. Gênero: Pop

Ela já tinha feito de tudo. Rodou em meio a cruzes pegando fogo. Fez um livro que fora proibido. Imitou a Marilyn Monroe. Brigou com uma lista interminável de celebridades. Apanhou do ex-marido. Achou que era Evita. Lutou para derrubar guetos. Cantou Pop, pincelou no R&B, mexeu os quadris no Funk. Mas, para Madonna, faltava alguma coisa, e não apenas no âmbito profissional.

Após confirmar a gravidez de sua primeira filha, parecia que um lado nunca mostrado da maior estrela Pop começou a aflorar. Uma série de dúvidas existenciais palpitavam em sua cabeça. Eram a maturidade e a maternidade. A incansável busca de explicações para o que ela antes não gastara muito seu latim. Ela precisava de um pouco de luz para desvendar os parâmetros de seus pensamentos.

Ao lado de William Orbit, uma penca de mantras, orações orientais, números cabalísticos e muita criatividade, Madonna confeccionou “Ray Of Light”, disco que vai de dramalhões maduros à reflexões angustiantes. O resultado de suas preces está descrito em 13 faixas coerentes e atiladas.

O eletrônico, em confluência com outras sonoridades e efeitos, marca presença e dá à Madonna um conceito diferente de tudo já lançado anteriormente, deixando um legado inestimável ao Pop. O que antes era dominado pelo água-com-açúcar, agora tinha carisma, lógica e noção. Tudo foi bem trabalhado, cada nota, respiração, sílaba. Poesia e métrica, espiritualidade e materialismo, dialética e dialogismo, sexo e carne, morte e vida.

“Frozen”, “Sky Fits Heaven” e “Nothing Really Matters” representam perfeitamente todo o complexo discurso construído por Madonna; são calmas, mas ao mesmo tempo, um convite ao corpo. “Ray Of Light” é elétrica. “Candy Perfume Girl” esbalda-se em metáforas. “To Have And Not To Hold” pega emprestado da Bossa Nova alguns elementos vocais. “Skin” é sensualmente envolvente. “Shanti / Ashtangi” te leva à Índia. “Mer Girl” expõe Madonna e fecha o disco em lamúrias e desabafos.

A aceitação do público e da crítica fora mais que positiva, e rendeu à Madonna quatro prêmios Grammy. Ela conquistou novos fãs, mostrou que não existe velhice, destruiu pra si alguns conceitos e – como era de se esperar – lançou moda. Mostrou que ventiladores no cabelo podem não ser apenas sexuais. Usou a transparência de sua alma e fez da luz de seu talento um (novo) caminho de filosofia, música e virtude.

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2 Comentários

  • Duanny

    em 18/5/2008 às 18:15 1

    Perfeito!

    Mais uma vez meus parabéns…

  • Fabio Santos

    em 30/12/2008 às 13:07 2

    muito bem escrito a sua resenha
    Parabens

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