Você já parou para pensar no quê é legitimamente brasileiro? Não é praticamente impossível nos definir se deixarmos de lado a mediocridade do “país do futebol e do carnaval”? Para facilitar, então vamos focar numa coisa só. Que tal a música?

Que nós somos um povo musical, não há dúvida. Qualquer coisa que produza som já é o começo para uma banda. O brasileiro enxerga a música como um processo espontâneo e informal, não há a necessidade de mística alguma, a música está no nosso DNA.
E, da mesma forma, está no nosso sangue um pouco do português, do índio, do italiano, do espanhol, do libanês, do africano e por aí vai. Uma verdadeira miscelânea multicultural. Se isso é bom ou ruim, não são os méritos de agora. O foco está em termos a nossa música moldada por outras nações.
O Samba, por exemplo, teve parte importante formada nas culturas dos negros oriundos da África; e a tão elitizada Bossa Nova pode ser dita (de forma superficial) como o Samba reescrito com pitadas generosas do Jazz. Mas, e hoje? Como a coisa é feita? Como a Indústria Cultural se apropriou disso?
Porque o Samba e a Bossa Nova foram muito além de meramente uma importação. Ambos se incorporaram ao verde e amarelo; mudaram suas bases, trilharam caminhos próprios e se transformaram em algo genuinamente brasileiro.
E não só os dois exemplos citados acima tiveram influências, podemos viajar um pouco mais. Quando Milton Nascimento e Lô Borges fizeram “Clube da Esquina” muito de Beatles esteve presente. Quando um monte de gente jovem e bonita concebeu “Ou Panis et Circenses” parecia que o Mundo era a raiz e o Brasil a planta. Quando Cazuza subia ao palco se via mais de um brasileiro do que de um qualquer transgressor estadunidense.
Mas, infelizmente, parece que a eterna busca em incorporar para depois recriar de maneira peculiar fora substituída por importar a fórmula e a reproduzir medianamente, e pronto. E essa prática se acentuou muito durante a década passada e veem se arrastando até os dias de hoje; principalmente nos finais dos anos 90 quando houve o boom da Pop Music em território norte-americano e de lá saíram enlatados aos montes.
Todo mundo concorda que a boyband New Kids On The Block foi um estouro, certo? E junto com suas roupas joviais e estilo condensado, o hit “Step By Step” se espalhou feito um vírus e contaminou centena de países, inclusive o Brasil. Um dia, lá pelos indos de 1989, Gugu Liberato pegou alguns rapazotes bonitos, trancafiou todos eles num estúdio e lançou a banda Polegar. Depois disso, o estrago já estava feito.
Em 1993 surgira, também nos Estados Unidos, um grupo chamado Backstreet Boys; até 1996 eles ficaram quietinhos na Europa, mas com a mega-sucesso de fenômenos Pop da estirpe das Spice Girls e Hanson, os rapazes voltaram para seu país de origem e de lá influenciaram um monte de gente aqui, e muito mais do que o New Kid On The Block em sua época (que por sinal voltaram, mas logo logo vão embora, assim espero).
Vale lembrar que depois de 1999 eram tantos grupos e cantores adolescentes seguidores da mesma cartilha, que qualquer um que fizesse diferente no Pop era jogado para escanteio sem dó. E dessa leva, além dos Backstreet Boys, pode-se citar também N*Sync, Britney Spears, Christina Aguilera e Five. E todos eles, sem exceção, fizeram enorme sucesso aqui no Brasil.
Mas, tinha um problema, que na verdade se mostrou uma solução para as gravadoras nacionais: Eles eram estadunidenses (ou britânicos), e por consequência, cantavam em inglês. Alguém precisava fazer o mesmo que Gugu outrora fez com o Polegar e criar uma versão nacional, mas sem ser brasileira.
Daí, a nossa música foi presenteada com a primeira leva do Pop pós-Polegar: Wanessa Camargo, Twister e KLB. Por mais que tivessem algum diferencial entre si, na essência não passaram de réplicas malfeitas, vazias artisticamente e, exceto pelo português, sem nada de brasileiras.
A mesmice se repetiu com a siliconada Kelly Key, as meninas do Rouge e os rapazes do Br’oz. Se faltou alguém, tanto faz, é culturalmente descartável mesmo. Alguns perduram até hoje vivendo num estado de permanente hiato, podem ora ou outra usar de elementos brasileiros, mas nada que seja palpável e divisor de águas.
Hoje, temos outros artistas estadunidenses que servem de inspiração para que algum canastrão brasileiro entorne nas rádios, novelas e programas de auditório suas cópias sem identidade. O câncer que começou no polegar se espalhou para todos os dedos, e ao que tudo indica, chegará em breve ao cérebro da música brasileira.
André Pacheco cursa Jornalismo e trabalha como webdesigner, adora cultura pop, novidades e leitura. Viciado no Twitter, gosta de música e também escreve no “Eu Quero Saber”.
Eduardo Nascimento estuda Jornalismo. Gosta de cinema e música em excesso, porém é um pseudo-escritor-frustrado. Acredita em signos, já que só se fode por ser geminiano. Vez ou outra bate cartão no Twitter e no seu blog “Chelsea Boulevard”.
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Alex Costa
em 30/9/2008 às 01:18 1Oi André tudo bem?
Estou passando por aqui para te avisar que na semana passada eu recebi o selo “este blog é inteligente”.
Eu tenho que passar este selo para mais 5 blogs e eu escolhi o seu blog pois eu acho que você esta fazendo um belo trabalho.
Se você quiser conferir:
http://blogdadieta.com.br/2008/09/30/premio-e-agradecimentos/
Um abraço.