A Dona Carochinha diz que há dois mil anos um menino nasceu em meio a bois, vacas, porcos e ovelhas; já a História diz que depois desse nascimento, um monte de gente foi tratada feito bois, vacas, porcos e ovelhas.
A Religião não percebeu até agora que a Sociedade mudou, e seus seguidores não veem que aquilo que eles acreditam ruiu, acabou, virou pó. O Cristianismo se tornou dispensável, mas como uma criança tola e mimada cismou em não arredar o pé.

O ser humano não precisa mais de religião alguma para aprender princípios morais e éticos. Para tanto, temos os Direitos Humanos e a Ciência, isso para ficar só com dois exemplos clichês.
Num emaranhado de ignorância, arrogância e ironia, a Instituição Religião com seus bois, vacas, porcos e ovelhas ainda acreditam que Jesus veio ao mundo brotando na pança de uma mulher (nesse ponto eles não entram em consenso: Católicos acreditam que Maria era virgem e Crentes acreditam que ela dava que nem chuchu).
Porém, o furioso Capitalismo (uma das crias do Cristianismo) colocou na mentalidade da massa que o 25 de dezembro era o dia ideal para comprar. Um dos últimos dias do ano se transformou – além da data de nascimento de um dos filhos da Carochinha – no dia perfeito para reunir a família para comer peru, revelar o amigo oculto e dizer que se ama todo mundo.
Mais esperto que a Religião, o Capitalismo apropriou de alguns elementos fictícios para firmar ainda mais sua posição de Besta do Apocalipse: um bom exemplo é o Papai Noel.
Conhecido antigamente como Nicolau de Mira, o bom velhinho não passa de uma adaptação manjada da imaginação de um coletivo alienado em sua fé frágil e leviana. As adaptações culturais sempre estiveram presentas ao longo dos tempos, mas a alma do sistema vigente permanece imutável e fixa.
Nossa espécie precisa acreditar em algo. Alguns ainda acreditam em Deus, outros creem no Capitalismo e alguns poucos gatos pingados – infelizmente poucos – depositam sua fé na racionalidade. Os dois primeiros vingaram pois o homem tende a ser comodista, e a racionalidade exige um pouquinho de esforço.
Antes era Jesus – hoje quase extinto – e agora é o Consumo – pronto para entrar em extinção – como símbolo hegemônico de nossa cultura, e o Natal como o dia da celebração de tal hegemonia. Porém, é fato que aquilo que vemos como imutável está prestes a entrar em colapso e ter muitos de seus pontos transformados.
Agora, resta saber qual será o próximo filho da Carochinha, uma senhora velha mas que se mostra audaciosa e sempre presente.
André Pacheco cursa Jornalismo e trabalha como webdesigner, adora cultura pop, novidades e leitura. Viciado no Twitter, gosta de música e também escreve no “Eu Quero Saber”.
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Ricardo
em 25/5/2009 às 20:51 1Talvez seja mais fácil e ridículo acreditar em coelhinho da páscoa, papai noel, duendes (ou será doentes??), vidente, ETs!!!
A mentira é inerente ao ser humano, por isso ele não consegue encontrar a verdade absoluta.
Abs e sem preconceito!
André Pacheco
em 25/5/2009 às 22:23 2@Ricardo
Num mundo onde um monte de gente acredita que um cara veio pra salvar a humanidade, acreditar em coelhos, velhos barrigudos ou fadas não é nada de mais.
A ignorância é tão natural ao ser humano quanto acreditar em Deus e essas baboseiras do tipo.
Ju
em 25/5/2009 às 22:30 3André,
concordo em gênero numero em grau com tudo o que você disse.
aplaudo de pé! tu é foda!
E, evidentemente este texto entrará na primeira leva dos links na quinta feira.
Um absurdo de maneiro esse texto.
Ju
em 25/5/2009 às 22:34 4Ah, só mais uma coisa que está engasgada há algum tempo:
Não consigo entender como as pessoas não percebem que elas estão sendo coagidas, ameaçadas.
Eu, sinceramente não vejo diferença nenhuma entre um bandido com uma arma apontada pra tua cabeça, e um pastor dizendo que a tua alma vai pro inferno se vc nao pagar o teu dízimo.
É ameaça e coação do mesmo jeito, gente!
Na verdade, a unica diferença, é que na segunda hipótese, vc está sendo feito de otário.
É isso… beijos!