O cantor, compositor, ator – sim, ele é formado em Artes Cênicas! – e publicitário – sim ele é formado em Publicidade! – Jay Vaquer bateu um papo exclusivo com o Vestiário. Ele fala sobre sua carreira, música e sociedade.
Jay tem quatro discos lançados e brevemente lançará seu primeiro DVD, gravado ao vivo. Não muito conhecido do grande público, suas músicas são muitas vezes um retrato do mundo atual e vão muito além do que está escrito, permitindo inúmeras interpretações do ouvinte.
Jay mantém um blog, o Fuzarca, onde fala sobre si e responde perguntas feitas pelos fãs, porém é muito reservado em várias questões de sua vida pessoal. “Formidável Mundo Cão”, lançado em 2007, é seu mais recente disco.
- Idade? Data de nascimento?
- Sinceramente não considero relevante essa informação para qualquer entrevista sobre meu trabalho. Nem a data de nascimento – pra saber meu signo? [risos] – menos ainda a idade – pra saber meu prazo? [risos]. Jornalistas chutam coisas entre 28 e 38 anos, e estão todos certos, mas poderiam estar errados. Mesmo porque invento isso até em documentos oficiais [risos], e me divirto com isso. E daria rigorosamente na mesma 27 anos ou 39 anos. Para mim, “foda-se grandão” [risos]. E odeio esse clima “Revista Caras”, sabe? “Fulano (idade do babaca) estava tomando vinho num castelo em Portugal com a namorada da semana; Beltrana (idade da piranha)… PELAMORRR! Nem entendo essa necessidade! Idade? São duas: vivo e morto… Estou vivo, e me basta por enquanto.
- Você já tem quatro discos lançados, e cada um é – de certa forma – único. Como você vê o processo que se deu sua carreira?
- O “já” eu consideraria um “ainda”. Não gravei nem 10 % do que pretendo gravar e já vivi 30% do que pretendo viver, portanto estou atrasado [risos]. Vejo o processo como coerente, honesto, esmerado e respeitoso. Cada disco é o retrato fiel do que eu estava querendo contar na ocasião, e sempre da melhor maneira possível, com as eventuais limitações de verba, tempo e talento.
- Eu percebi um certo “amadurecimento” de “Você Não Me Conhece” (2005) para “Formidável Mundo Cão” (2007). Enquanto as letras de um falam da sociedade de forma mais sutil, as do outro são mais escancaradas, objetivas. Por quê?
- Há canções de vertentes bem variadas em ambos. Não acho que um seja “exatamente assim” e o outro “exatamente assado”, os dois são verdadeiros e abrangentes. Se o “Formidável Mundo Cão” de repente tem quatro músicas na vibe do “Cotidiano de um Casal Feliz” – que está no disco “Você Não Me Conhece” – é porque a direção artística da EMI acreditou nessa linha e selecionou o repertório dentro daquilo que apresentei. Ainda assim, o “Formidável Mundo Cão” tem apenas 1/3 dessas canções cujos discursos você define como “escancarados, objetivos”.

- Você acha que todos os cantores deveriam deixar suas opiniões sobre política e sociedade nas músicas?
- Acho que cada um faz o que quiser e puder. É legítimo que um cantor queira falar apenas sobre putaria ou abobrinhas. Estará no pleno direito dele.
- Infelizmente, você não é um artista que chega às massas tão facilmente. O que você acha que impede tal contato?
- Digo que o Brasil é um continente, e me basta uma “Bélgica” dentro desse enorme continente para que meu trabalho esteja amplamente justificado; para que exista, sobreviva dignamente, tranquilamente… O que realizo nem sei se tem esse apelo popular para atingir, alcançar as “massas”, e sinceramente acho que não, mas pode ser que eu esteja enganado.
O que impede que o trabalho esteja talvez com mais força e evidência é essa ausência total nos programas televisivos de grande audiência, não estar nas rádios de todo o país. E isso não é exatamente em função das características do trabalho apresentado, é uma mera questão de esquemas/granas, mas estou tranquilo. A Bélgica está no pedaço [risos].
- Qual a vantagem que você vê em ser um artista com um público específico?
- Não sei se há uma vantagem, se há uma desvantagem. Há um fato! Sou assim, um artista para um público que não será imenso, mas também não acho que seja um público específico. É bem heterogêneo. Tem gente de todas as idades, todas as classes sociais, com o grau de escolaridade variando do básico incompleto ao doutorado. Pessoas completamente diferentes, mas com interesse em comum pelo meu trabalho.
- Em algumas faixas você faz críticas à classe média brasileira. Mas, você é um “típico” rapaz dessa mesma classe média…
- Típico rapaz da classe média? Hmm… Qual classe média? Do Rio de Janeiro? De São Paulo? Será que sou mesmo? Não tenho certeza. Mas, se eu realmente for e se critico essa “classe”, ótimo porque então critico algo que conheço muito bem. Diretamente “das internas”…
- A Indústria Cultural mudou bastante em todo o mundo. Nos EUA foi o Mp3, no Brasil a pirataria – e recentemente o Mp3 com a popularização da internet – que causaram a bancarrota da Indústria Fonográfica. Como você se encaixa nesta nova ordem como artista e como consumidor de música?
- Interessado, informado, antenado, fazendo o meu da melhor maneira possível. E sigo consumindo muita música, cada vez mais. Claro que aumentou a informação, aumentou o acesso, aumentou a facilidade para pesquisar, conhecer e consumir trabalhos do mundo todo. Naturalmente acho isso lindo, e uso várias ferramentas para me beneficiar como artista e como consumidor voraz de música.
Bancarrota da Indústria fonográfica? Ainda não. Acho que isso estará nos próximos capítulos: “Vem aí, em breve, numa sala perto de você!” [risos].
Mas as gravadoras deverão funcionar como empresas de entretenimento no esquema da Live Nation. Vão ganhar com shows e produtos dos artistas sob contrato. O interesse pela música só aumenta, e sempre saberão como lucrar com esse interesse que presumo que seja – perpetuamente – inerente à condição humana.
- Os jovens hoje no Brasil consomem muito mais artistas americanos que brasileiros. Chegamos num ponto que muitos sabem mais sobre a Beyoncé do que sobre Elis Regina, Clara Nunes…
- Poxa… Gosto das três citadas! Elis foi espetacular, era muito talentosa, inteligente e sensível; brilhante mesmo. Clara Nunes também, era foda! As duas morreram precocemente por cagadas tremendas. Uma grande pena, poderiam estar lançando coisas legais até hoje.
E a Beyoncé… Yeeeah! Canta muito, dança pra caralho, linda toda a vida [risos]. Gosto bastante dela. Mas no Brasil, ainda mais jovens consomem o Calcinha Preta, a Joelma, o Asa de Águia, a dupla Victor e Léo, o Padre Marcelo Rossi, o Sorriso Maroto. São artistas muuuito mais populares que a Beyoncé, esteja certo disso.
Mas entendi a sua pergunta, e concordo que muitos jovens estejam demasiadamente alienados. Um considerável nicho que sabe o que a Hannah Montana jantou e não tem o menor o interesse pela Elis Regina, pelo nosso passado que é um tesouro. Isso é uma pena…

- Uma das características da música brasileira é importar estilos estrangeiros e misturar com coisas nossas. Assim foi feito na Bossa Nova, Tropicalismo, Clube da Esquina – que mesmo tendo elementos estrangeiros, mantêm a brasilidade. Porém, hoje parece que apenas pegamos o que vem de fora, fazemos versões e lançamos no mercado…
- Acho que tem de tudo, não há apenas um esquema de som sendo produzido. Há uma variedade realmente incrível de música sendo produzida no Brasil atualmente. Sim, muita porcaria, muita merda MESMO! Gente sem noção achando que faz música… Mas também, PARA MIM algumas POUCAS coisas são realmente interessantes.
Agora essa discussão de “coisas nossas”, “coisas de fora”. Hoje e cada vez mais, nesse sentido, considero tudo oriundo desse nosso mesmo planetinha cada vez “menor”. O Rock que faço é completamente brasileiro porque nasce aqui. Podem falar “mas o Rock não nasceu aqui”. Veja, quando um estilista brasileiro desenha uma calça jeans e coloca na passarela, aquela calça é brasileira pra caramba; ou quando um cozinheiro brasileiro faz uma macarronada, aquele prato é brasileiro pra caramba. Acho tudo isso bem relativo. Se faço um Samba, faço algo “nosso”? Também… Lógico que sim, mas a origem do Samba está na África e isso nem importa. Importa o resultado daquilo que é realizado.
- Seu DVD sairá em breve…
- Ainda não tem data de lançamento, mas deverá acontecer entre abril e maio. A receptividade foi excelente! Público maravilhoso, como de costume. Mais de 3000 pessoas pulando e cantando as músicas, foi lindo, comovente. A gravação? Uma apresentação com público e outra com parte do público.
- Já está trabalhando num disco de inéditas? Já pensou em como será?
- Já sim… Será coerente, honesto, esmerado e respeitoso.
Rafael
em 7/1/2009 às 15:25 1Juro q vou ler e comentar melhor quando estiver mais animado =D
Vinícius
em 7/1/2009 às 15:33 2Gostei dele! heheh
Ana Gori
em 7/1/2009 às 16:14 3Conheci o Jay Vaquer mesmo, ano passado, já tinha visto um clipe dele na MTV “Miragem” mas não tinha prestado muita atenção, confesso. Ano passado me afundei mais no trabalho dele e gostei muito.
Jay se insere, para mim, na inteligência crítica e aguçada da música brasileira. Até aí nenhuma novidade, vários também se encaixam, porém, mais um é excelente para contrapor a outra esmagadora maioria desprovida de interesse por qualquer tipo de concepção crítica.
Gosto do Jay melodicamente, as músicas são gostosas e bem trabahadas. Mas, o que me chama mesmo atenção são as letras que me dizem muito e me inserem num contexto muito real, no meu real, na minha verdade, claro.
Adorei a inciativa da entrevista, quanto a ela tenho a comentar algumas coisas. Só porque o Jay tem essa característica diferenciada de ser coerente com o que pensa nas suas letras, não acho que ele seja uma pessoa que não escute Beyoncé e outras músicas internacionais. Essas perguntas me incomodam um pouco, porque não há nenhuma relação em ser inteligente e gostar de outras coisas que por um motivo ou outro são consideradas fúteis ou bregas. O mundo precisa de futilidade. Mesmo porque se ele não escutar de tudo, não sabe falar sobre ele mesmo. Incomoda-me também o fato de querer se rotular tudo, a música, o público e não sei mais o que. De fato a gente quer explicações sobre tudo, mas não acho esse tipo de pergunta interessante, é “novidade média”.
Quanto ao Jay, acho que ele é bem consciente quando responde e coerente como ele mesmo diz, com o artista que é. Porém, ainda acho que há que se tomar bastante cuidado ao citar nomes e falar que uma coisa é mais importante que a outra. Os nichos que sabem o que a Hanna Montana janta podem conhecer de Elis SIM. E se não conhecerem, para eles o que importa é a Hanna Montana, não a Elis e pronto. Isso caracteriza-se também, pelo fato de que a Elis não está sendo bombardeada na cabeça desses nichos como a Hanna Montana está. Ora, se eu tivesse 13 anos eu também saberia do café da manhã ao jantar dela e nem ligaria pra Elis. Eu moro no Brasil, a cultura aqui tem uma divulgação seletiva. Pra mim é surpresa um adolescente que gosta de Elis e Tom, não é coerente com a cultura que lhe é apresentada dia-a-dia. Então eu não julgo assim, não mesmo.
Porém André, PARABÉNS pela iniciativa da entrevista, pelo conteúdo e pela ótima apresentação. Adoro seu trabalho e acho que você pode transformar essa “novidade média” que vivemos. Acredito mesmo.
Luan
em 7/1/2009 às 16:24 4tirando que ele te deu uns petelecos no início, muito legal :D
Parabéns, Pacheco (y)
MA
em 9/1/2009 às 17:07 5Jay Vaquer sempre me surpreendente!! Ele merece todo sucesso!! xD
Joyce
em 9/1/2009 às 18:36 6mereçe todo sucesso do mundo!
Lu
em 9/1/2009 às 18:36 7Tenho tomado conhecimento do trabalho do Jay por músicas baixadas pela internet e pelo blog Fuzarca. Aliás, respondendo as declarações de Ana Gori (“não acho que ele seja uma pessoa que não escute Beyoncé e outras músicas internacionais”) quem lê o blog sabe que ele escuta músicas internacionais sim. Prova disso é o fato dele confessar que ouve Rihana e até elogiou o último CD da Britney. Qual roqueiro fala tão abertamente sobre a música pop (ainda mais a Britney, princesinha do pop) sem preconceitos nem vergonha de assumir que ouve e gosta? Jay, ainda vou assistir um show seu, vc é fodástico!
Ana Gori
em 9/1/2009 às 23:05 8Gente… tô cada dia mais assustada! Eu ao dizer que “não acho que ele seja uma pessoa que não escute Beyoncé e outras músicas internacionais” estou exatamente falando que ele escuta músicas internacionais.
Eu hein….
Lu
em 10/1/2009 às 10:21 9Não se assuste… estou apenas afirmando o seu achismo, por isso coloquei “respondendo as declarações de…”. Ok, pode ter parecido outra coisa, mas é porque não se vê em entrevistas um cara que faz rock dizer que ouve Chris Brown, Rihana, Britney e por aí vai…Então achei legal colocar isso, lembrar do que leio no blog e que não vai aparecer em nenhuma entrevista, despertando “achismos” nos leitores.
Só isso…
Lara
em 10/1/2009 às 11:07 10Esse é o Jay. Tem gente q naum gosta, tem gente q é MUNDIÇA.
Rafael DINNO
em 10/1/2009 às 13:47 11ESTIVE PRESENTE NA GRAVAçÂO DO DVD DELE QUE FOI ALGO SINGULAR, UM ESPLENDOROSO SHOW…
(há no forum do orkut, um topico sobre a gravação do DVD e pessoas fazendo descrições do que foi aquela noite de 20/Nov/08 no Vivo Rio)
SINCERAMENTE: O MELHOR ARTÍSTA E COMPOSITOR ATUALMENTE.
FORTE ABRAÇOS!!!
Saulo Lima F Gomes
em 11/1/2009 às 20:47 12ADORO TUDO O QUE SE REFERE A ESSE ARTISTA E A ESSE CARA EXEMPLAR QUE – GRAÇAS A DEUS – FAZ PARTE DA NOSSA CULTURA E REFERENCIA MUSICAL DA NOSSA GERAÇÃO.
POSSO DIZER QUE ESSE DVD ENTRARÁ PRA HISTÓRIA PELO CUIDADO, TRABALHO, ESFORÇO, CUIDADO E, CLARO, PELO TALENTO DE JAY!
MUNDIÇA É MUNDIÇA EM QUALQUER LUGAR E CADA VEZ MAIS UNIDOS, ADORAMOS GRITAR A NOSSA VITÓRIA CADA VEZ QUE ARREBATAMOS MAIS UM PROS FÃS DESSE CARA. NUM TEM COMO OUVIR E SIMPLESMENTE ACHAR “BACANINHA…”
JAY É MAGNÉTICO… É CHEGAR PERTO DE QUALQUER MÚSICA QUE A IDENTIFICAÇÃO SIMPLESMENTE ACONTECE!!!
ISSO SE CHAMA TALENTO – E ISSO… ESSE CARA TEM DE SOBRA!!!
PARABÉNS POR TUDO, JAY!!!
Saulo!
Lu
em 12/1/2009 às 10:21 13É, VIREI MUNDIÇA, KKK
Andréa
em 13/1/2009 às 14:47 14O trabalho do Jay Vaquer é algo maravilhoso (mesmo). Seu talento, suas letras MARAVILHOSAS, musicas para todo momento.
A gravação do DVD, não foi apenas só mais uma gravação de MAIS um artista, foi uma noite inesquecivel, tanto para o publico [mundiça power ";) ] quanto para o Jay.
Admiro MUUUITO o lindo trabalho do Jay, que realmente um dos melhores de todos os tempo “;)
Parabéns Jay!
Bjus! Andréa.
Yasmin
em 19/4/2009 às 21:31 15Jay é foda pra caralho mesmo…
Manuela
em 30/9/2009 às 22:46 16Jay é incrivel, sensacional. Talento de sobra …
LEANDRO
em 19/10/2009 às 02:01 17O JAY É INCRÍVEL MESMO!!! TENHO CERTEZA QUE UM DIA ELE AINDA VAI “ESTOURAR” DE VERDADE…ELE MERECE SER RECONHECIDO PELO POETA QUE É!!!