Não vou entrar no mérito de manipulação ou não da Rede Globo. A questão pra mim está em outro ponto também importante, que de certa forma tem relação com a presença de um canal homogêneo feito a Vênus Platinada – mas que não é o caso deste post.
Que a cabeça do brasileiro infelizmente ainda é bastante limitada, isso não há nenhuma dúvida. Claro, há as exceções, mas elas existem meramente para confirmar a regra. O Brasil (além de racista) é machista e sexista. O conflito homem versus mulher ainda está impregnado na discussão sobre a perfeita-família-moralista.
Priscila, do BBB: Filé não se come, se saboreia. Foto: Reprodução
Quando aparece uma figura feminina que vai contra a velha máxima “mulher boa é aquela vadia na cama e dama na sociedade”, começa a exibição de pensamentos atrasados. Uma ideologia que coloca a mulher como uma dona-de-casa que tem que agradar o marido.
Por favor, não me interpretem errado. Não estou falando que as mulheres devam exibir sua sexualidade aos quatro cantos, e tão pouco acho que devam esconde-la apenas entre quatro paredes. Existe uma sutil diferença entre maturidade e exibicionismo barato.
E pelo que pude notar ao longo da minha vida, o povo brasileiro não enxerga – por vários motivos – que a independência feminina se dá em várias esferas, incluindo a sexual.
O segundo lugar de Priscila na nona edição do Big Brother Brasil é mais uma prova cabal de como o brasileiro convive com com a imagem duma mulher independente, aberta à sexualidade e não conformada com o papel dado a ela desde o nascimento.
Priscila nunca foi a preferida da massa. Por massa me refiro ao brasileiro médio, independente da classe social, e não aos poucos de cabeça aberta que mínguam aqui ou acolá. Se não fosse a “campanha” pró-Priscila feita na internet, a diferença de votos teria ficado além dos míseros 0,24%, e quiçá Francine teria levado a prata.
Nunca falei de Big Brother neste blog. Deve ser porque preferi deixar pra comentar na final quando todos os jogos fossem feitos, as manipulações explícitas mostradas e os finalistas exibidos para serem julgados que nem carne no açougue. E neste açougue chamado Brasil ainda preferimos um pedaço de patinho a um filé.
Priscila entraria como o filé na história. Não, não falo filé como “a gostosa”, “boa pra comer” e essas baboseiras típicas de homens ignorantes. O filé a que me refiro é aquele pedaço da carne que dá prazer em ter à mesa. Ela tem a cabeça aberta para centenas de coisas, fala o que pensa e usa argumentos sensatos. Eu vi isso durante os três meses de programa.
Porém esse filé é demasiadamente apetitoso para ser digerido num estômago fraco e pequeno feito o nosso. A vencedora do Big Brother até poderia ser um filé; mas não um filé bonito, gostoso e maturado. As mulheres-filés no Brasil não podem ser saboreadas e servidas como prato principal. A verdadeira mulher-filé tem que deixar espaço para o patinho sem graça, e muitas vezes asqueroso.
Vide Max. Um dos piores exemplos que temos de homem. E não falo da sexualidade dele. Se ele é ou não gay, foda-se. Homem é muito mais de quantas vaginas comeu na vida. Um homem de verdade está no caráter, na maneira como trata seus companheiros de vida, trabalho e jogo. No respeito que tem para os outros.
Max é fraco. Covarde. Canastrão. Baixo. Em suma, Max representou no Big Brother o típico homem brasileiro, aquele que não sabe escolher o melhor pedaço de carne e prefere ser um patinho. E pior, um patinho cru.
André Pacheco cursa Jornalismo e trabalha como webdesigner, adora cultura pop, novidades e leitura. Viciado no Twitter, gosta de música e também escreve no “Eu Quero Saber”.
Eduardo Nascimento estuda Jornalismo. Gosta de cinema e música em excesso, porém é um pseudo-escritor-frustrado. Acredita em signos, já que só se fode por ser geminiano. Vez ou outra bate cartão no Twitter e no seu blog “Chelsea Boulevard”.
Fabiana Lovati é estudande de Publicidade e trabalha com mídias sociais. Viciada em internet, música, cultura pop, assuntos aleatórios e pizza. Também bomba no Twitter e escreve no blog “Achei Tendência”.
Luccas Belfort considera o Twitter amigo do peito. Estuda Design Digital, mas insiste em querer ser alguém na blogosfera. Sua vida se resume a Britney Spears, década de 90 e cerveja.
Bruno Ângelo
em 8/4/2009 às 00:33 1Pacheco, não preciso ficar falando aqui dizendo que o post foi maravilhoso, sincero e maduro, neh? Então só vou dizer uma coisa:
bjs
Vivi
em 8/4/2009 às 00:36 2ADOREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI o post, e viva Priranha, um exemplo a ser seguido \o
Gui
em 8/4/2009 às 00:42 3Nossa, acho que eu não tenho mais nada a acrescentar ao post, só lhe parabenizar por tudo o que você disse, parabéns.
Pri em Forma
em 8/4/2009 às 01:28 4Parabéns concordo plenamente! Não conheço uma pessoa de meus relacionamentos pessoais, extra virtuiais que torcessem pelo Max ou que não tenham descoberto na Priscila uma mulher de carater e bons sentimentos. Tirei o chapéu para ela quando ela pediu que o cara que entrou com a Mayra na segunda casa de vidro imunizasse a amiga e não ela. Isso dentro de um hogo que vale um milhão, se colocar no paredão ou correr o risco de ir, trocar a imunidade, é arriscar 1 milhão, isso não é qualquer pessoa que faria.
Amei tudo q vc escreveu! Ps.: Não gostei do Priranha
Rê
em 8/4/2009 às 04:30 5Nossa que texto ótimo…
Perfeito mesmo.
Vi que você estuda jornalismo, com certeza será um ótimo jornalista, pois escreve muito bem!
Nique
em 8/4/2009 às 10:52 6Adorei o post, muito bom.
*Lusinha*
em 8/4/2009 às 13:32 7Nossa, uma boa grande crítica.
Senti pena das pessoas que comentaram que era para votar no Max, já que a Pri teria outras formas de fazer o milhão dela aqui fora…
Bjitos!
Ana
em 8/4/2009 às 14:26 8Não concordo com a visão sobre o Max. Acredito que qualquer forma de auto-confiança e pouca modéstia são bem-vindas num país infelizmente limitado como o nosso. Max foi sim a “cara-clichê” de um campeão de BB Brasil, assim como tantos outros, mas ao menos ele se representava como alguém que fazia, de sua própria casca, o seu espelho. Não queria que ele ganhasse. Também torci muito pra Priscila e isso me faz concordar com todo o restante do seu post, muito bem colocado. Mas a realidade daquela final não me deixou completamente triste. Foi um dos poucos momentos em que vi a Globo ameaçar uma tentativa de lucro conciliado com mudanças. Bateu na trave, de fato. Mas é só voltarmos pro Vestiário e nos prepararmos pra uma nova tentativa de gol.
Arthurius Maximus
em 13/4/2009 às 10:35 9Concordo com sua análise em relação ao preconceito do brasileiro quanto a mulher inteligente e liberada. Infelizmente (mentira) não assisti ao BBB9 (nem o 1) e não posso opinar em relação ao tal camarada! Mas acredito em você (rs).