Com carga dramática capaz de fazer até o mais babaca derramar alguma lágrima, o longa “Precious” conta a história de Claireece Precious Jones. Negra, pobre, obesa mórbida e pela segunda vez grávida do próprio pai, a adolescente vive com a violenta mãe numa Nova York decadente dos anos 80.
A iniciante Gabourey Sidibe conta os dramas de Claireece no filme “Precious”Sem muitas perspectivas de uma vida mais amena, Claireece narra sua história com uma frieza vezes assustadora e beirando ao pragmatismo – o que é uma consequência clara dos abusos sofridos em casa. Mesmo assim, ela tem sonhos comuns às garotas de sua idade: quer um namorado bonito e fama. Mas, aqui, os devaneios saem do lugar comum e ganham um contorno mais maduro.
Precious – como é conhecida – almeja um namorado para fazer frente aos abusos do pai e a fama para que as pessoas ao seu redor a escutem. São nos sonhos que a história se sustenta e se desenvolve sem obstáculos. Seja apagada após apanhar ou viajando na realidade, esse mundo paralelo da protagonista ganha saturação e trilha-sonora mais animada, criando assim o paradoxo que transforma “Precious” num ótimo filme.
A comediante Mo’Nique encarna a severa mãe, enquanto a cantora Mariah Carey atua como assistente socialO diretor, Lee Daniels, teve a sensibilidade correta ao transportar para a tela a obra “Push”, lançada em 1996 pela escritora norte-americana Sapphire. Escolheu um bom elenco, que traz a iniciante Gabourey Sidibe no papel principal, e a comediante Mo’Nique, irreconhecível como a severa mãe. As estrelas da música Mariah Carey e Lenny Kravitz dão o ar da graça servindo de alicerce à Claireece, ao lado de Paula Patton (que interpreta a meiga professora Ms. Rain).
Por ser independente, “Precious” sai dos clichês que esse tipo de história traria. Não tem excesso de choro, música bonitinha para vender trilha-sonora ou um roteiro linear que acaba caindo na mediocridade. “Precious” traz uma visão adulta das tristezas de uma adolescente invadida em seu lar, usa e abusa naturalmente de tomadas fortes e fotografia ímpar e, no fim, dá uma ótima aula de “como sonhar”.
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Fabricio Moura
em 18/1/2010 às 18:44 1Não vi, mas ja tinha ouvido falar e assisti algumas coisas no E!, principalmente a respeito do papel da Mariah. Porém, justamente o post aguçou a minha curiosidade, agora eu quero ver.
Acho que a personagem principal,(negra, pobre, obesa e grávida do pai) é um convite para polêmica (ótima por sinal), posso estar meio louco, mas é o tipo de filme que a Academia gosta.
ÓTIMO POST Andre!!!
Bruno Almeida
em 19/1/2010 às 12:38 2Quero muito assistir esse filme *-* Só o trailer já emociona… Com a Mariah no meio, então…
Marcela
em 23/1/2010 às 02:05 3Otimo filme!
Tipo super indicado
André
em 25/1/2010 às 21:11 4Olha, sinceramente eu esperava muito do filme, devido a expectativa criada em torno do roteiro forte/polêmico… Mas quando assisti achei bem mediano e na minha opinião não tem uma boua evolução, quando chega ao fim parece que não levou a lugar algum. Das indicações que recebeu no Globo de Ouro (e provavelmente receberá no Oscar) a única realmente merecida é a de melhor atriz coadjuvante para Mo’Nique…