

Comecemos pela sexual, angustiada e prepotente foto escolhida para capa. Uma amazona pronta para o ataque. Olhar penetrante, mas paradoxalmente vazio. A mão tapando um lado do rosto. Ela levou um tapa, e sabiamente não oferecerá a outra face.
A briga começará. Rihanna transborda cólera. Rihanna fez “Rated R” após um dos fatos mais vergonhosos no Pop em 2009. Rihanna que prestar contas publicamente, não apenas com o covarde agressor, mas com ela própria.
Rihanna deixou de lado toda a indumentária que a consagrou para cair em batidas pesadas e riffs. Não usa e abusa de refrões fofinhos querendo estar embaixo de algum guarda-chuva. Na verdade, seria bem provável que qualquer objeto do cotidiano fosse usado como arma. A voz está abafada, afobada e, talvez, pulsante.

“Rated R” é – em resumo – um ótimo disco, e serve entre outras coisas para conquistar o carisma de quem não gostava antes do Pop chato da cantora. É, definitivamente, uma Rihanna mais dona de sua carreira, mesmo com as chatas intervenções da gravadora que podem ter tirado muito do carisma Rock pensado por ela para este trabalho. Os destaques ficam com “Rockstar 101″, “Russian Roulette”, “Photographs”, “G4L” e “Hard”.
Podem dizer que o trabalho não parece coeso por às vezes Rihanna pisar na bola, se confundir com os sentimentos e suspirar um perdão. Podem dizer que é um disco sem uma rígida linha sentimental. E dizem com razão.
Rihanna vai do luxo ao lixo, se confunde, se desmente e se constrange. E é em não ser um manual de “como odiar alguém” que se encontra a magia de “Rated R”. Ela fala de amor. E quem disse que esse sentimento não tem um quê de embaraço, ódio e autodestruição?


Ao escutar “Memoirs Of An Imperfect Angel”, o novo disco de Mariah Carey, fiquei contente com o material disponível. Sou fã da moça, não adianta eu dizer que não e fazer piadas com seu jeito lesado. Conheço seus discos e sei cantar suas músicas. Mas, tentando buscar uma imparcialidade, apresento minha opinião sobre “Memoirs”.
Qualquer um que inteire-se o mínimo sobre o mercado musical norte-americano tem que concordar com três fatos: 1) Mariah Carey é ícone. 2) Mariah Carey é uma cantora que marcou época. 3) Mariah Carey fez história no mainstream.
Gostando ou não de seus berros, firulas e charminhos, é inegável que ela tem uma discografia respeitável. Foi santa, devassa ou louca ao longo de dezenove anos. E a fase mais produtiva de sua carreira, tanto em qualidade e criatividade, durou até 1997. Ela sabe disso, e sendo assim buscou retomar de onde parou.
Neste disco ela está – definitivamente – de volta à velha forma. Mariah Carey, a mulher da voz potente e das baladas glicosadas que inundaram rádios mundo afora, concebeu um álbum emotivo. Esqueça tudo lançado de 1998 até ontem, qualquer comentário positivo sobre seus últimos trabalhos pode ser facilmente apagado. Nenhum arco-íris, purpurina, bijuteria, emancipação ou fórmula chega aos pés do que é apresentado aqui.

“Memoirs” se porta como a última parte de uma trilogia iniciada em 1995 com o disco “Daydream” e continuada em “Butterfly”, de 1997. No primeiro ela mostrou a angústia, no segundo exaltou a liberdade, e agora – passado pouco mais de uma década – expõe sua trajetória de forma madura e ajuizada. Carey refletiu usando sua música como instrumento e carreira como metáfora, assim como fizera nas duas vezes anteriores.
Todas as faixas de “Memoirs” parecem retiradas de um diário, criam um jogo que começa com uma apresentação formal em “Betcha Gon Know”, parte para um acerto de contas com desafetos em “Obsessed” e expurga quaisquer traumas do passado em “H.A.T.E.U.”. Depois vêm algumas reflexões, anotações, rabiscos e adesivos.
Nas três últimas faixas, ela volta à coesão falando de seu tema preferido, a dor de cotovelo. A voz encorpada em “The Impossible”, “Angels Cry” e (no belíssimo cover) “I Want To Know What Love Is” apresenta três formas para o amor. Seja intangível, sofrido ou esperançoso, é o amor sem afetações ou excessos. São possibilidades na visão duma mulher de quarenta anos, e não duma adolescente frustrada ou retardada que muitas vezes ela fez questão de aparentar.
As vivências agora ganharam sustância. “Daydream” tangenciou-se em preto e branco, “Butterfly” pintou-se em sépia, “Imperfect Angel” reluz-se em cores. Mariah Carey pode se ver como um anjo imperfeito, mas lançou um disco ao contrário da concepção do título. Ela, enfim, aceitou a maturidade.


Sem questionamentos, Whitney Houston é um ícone musical. Durante sua carreira, lançou faixas que entraram para a galeria do imaginário coletivo. Porém, nem tudo ia bem em sua vida, o que diretamente refletiu na carreira. Do trono de diva ao ostracismo das drogas. E agora, após anos na luta contra a dependência, Houston enfim volta.
“I Look To You” foi esperado com ansiedade, e não apenas por fãs. Qualquer um que já se emocionara e viu o estado em que a estrela desfilava em sua má fase, tinha uma pontinha de desejo em ver uma Whitney mais estável.
E aqui podemos avaliar tal retorno. De um lado uma cantora saudável, do outro um disco morno. Não que “I Look To You” seja ruim, mesmo fracassando em sua missão consegue colocar qualquer trabalho de muitas da nova safra do R&B no bolso.
O disco abre com a vibrante “Million Dollar Bill”, produzida por Alicia Keys, e ao lado de “For The Lovers” e “Salute” figura como uma faixa marcante e pronta para (com alguns remixes) incendiar pistas planeta afora. Nas baladas, “Call You Tonight” e “I Look You” evocam – mesmo que discretamente – a Whitney do passado.
Num panorama geral, parece que Houston pouco se mexeu em “I Look To You”. Assim como a foto da capa, ouvimos uma diva forçada e com pouca emoção. Não que seja culpa da própria, ela ficou anos em hiato e agora tenta se reafirmar num mercado diferente daquele que a consagrou.
Morno ou não, “I Look To You” por si só já é uma dádiva e um presente para o R&B. Whitney não retornou de vez, mas já mandou o aviso.
Há muito tempo que não posto sobre as minhas descobertas musicais aqui (a última foi a croata Lana Jurčević). E desta vez, pra me redimir, vou mandar três moças lindas e absolutas de uma tacada só. E melhor, são brasileiras de muito talento e bom gosto.

Carioca de nascimento e mineira de criação, Aline Calixto é o mais novo talento do Samba. Em “Tudo que Sou”, primeira música de trabalho do disco homônimo, a moça já mostra a que veio. Outras faixas que merecem destaque são “Cara de Jiló” – um sambinha animado – “Retrato da Desilusão” e “Rainha das Águas” – ambas fazendo jus à escola Clara Nunes.
Outra Aline que chegou pra ficar é a paulista Muniz. Seu primeiro disco, “Da Pá Virada”, lançado em meados do ano passado, é cativante; principalmente pelas faixas “Básica”, “Vagalumes Brilhantes” e “Pra Você Sambar”. No geral, o som de Aline Muniz é cosmopolita na mesma proporção que mescla elementos clássicos da Música Poplular Brasileira com sons mais contemporâneos.
Falando em clássicos, o oitavo disco da veterana Ná Ozzetti, presta uma homenagem às músicas brasileiras que marcaram época. Com novos arranjos, Ná mostra para as novas gerações que marchinhas são bacanas e merecem ser lembradas. Destaque para “Disseram que Voltei Americanizada” e “Tico-Tico no Fubá”.


O codinome e o estilo glam fazem com que Stefani Joanne Germanotta pareça uma veterana dos anos oitenta reciclando sua carreira. Ledo engano, Lady Gaga é a mais nova sensação do Pop, principalmente para o público gay. A moça debutou “The Fame” em finais do ano passado no mercado internacional e recentemente chegou (de forma oficial) ao Brasil.
Com um semblante blasé, mas ao mesmo tempo sensual, Lady Gaga entrega seu primeiro disco repleto de firulas, excessos e brilho. Superficialmente, “The Fame” comporta-se como uma válvula de escape no mainstream já saturado de Hip Hop e R&B. Como um todo, o disco pode vir a funcionar como uma referência para outras cantoras de sucesso ou estreantes.
Num misto de Madonna e Cindy Lauper, pegando emprestado um sucesso do Queen e brincando como uma criança que acabou de descobrir os assessórios da mãe, Lady Gaga tem potencial de se firmar e permanecer por anos na estrada. Afinal, o Pop ao mesmo tempo que descarta escolhe os competentes para se tornarem ícones.

“Just Dance”, o primeiro single e faixa de abertura de “The Fame”, já mostrou a que veio, conseguindo incendiar pistas de qualquer lugar do mundo minimamente ocidentalizado. “Poker Face” com sua pegada urbana traz os ingredientes certos para o ouvinte fazer caras e bocas enquanto dança. “Money Honey” é uma dose de alienação num mundo repleto de informações e opiniões.
Mesmo as menos empolgantes como “Paper Gangsta” – que mais parece uma música tirada de um dos discos de Gala Rizzatto – ou a estressante “Summerboy” conseguem manter uma sintonia de animação e excitação com o ouvinte. É indiscutível que “The Fame” chegou fazendo barulho e anunciando mais uma princesa para o Pop.
André Pacheco cursa Jornalismo e trabalha como webdesigner, adora cultura pop, novidades e leitura. Viciado no Twitter, gosta de música e também escreve no “Eu Quero Saber”.
Eduardo Nascimento estuda Jornalismo. Gosta de cinema e música em excesso, porém é um pseudo-escritor-frustrado. Acredita em signos, já que só se fode por ser geminiano. Vez ou outra bate cartão no Twitter e no seu blog “Chelsea Boulevard”.
Fabiana Lovati é estudande de Publicidade e trabalha com mídias sociais. Viciada em internet, música, cultura pop, assuntos aleatórios e pizza. Também bomba no Twitter e escreve no blog “Achei Tendência”.
Luccas Belfort considera o Twitter amigo do peito. Estuda Design Digital, mas insiste em querer ser alguém na blogosfera. Sua vida se resume a Britney Spears, década de 90 e cerveja.