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Confessions On A Dance Floor; Madonna

20/12/084
  • Confessions On A Dance Floor; Madonna
    1. Nota: 4,5
    2. Selo: Warner
    3. Ano: 2005
    4. Gênero: Pop

Enquanto as outras divas do Pop se rendiam cada vez mais ao Hip-Hop e seus bling-blings, Madonna optou por aquilo que sempre soube fazer bem, o diferente. Lançado em novembro de 2005, “Confessions On A Dance Floor” é uma excelente compilação de faixas feitas na medida certa para dançar.

Além do Eletrônico mesclado a elementos do Pop, o mais bacana do trabalho é que ele é non-stop – ou seja, as músicas não têm interrupção de uma para outra. “Confessions On A Dance Floor” é daqueles discos que ficam tocando o dia todo e sem que se perceba, as músicas já estão repetindo há tempos.

“Hung Up” – o primeiro compacto – usa trechos de “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)”, sucesso do ABBA na década de 80; já nessa faixa de abertura dá pra perceber toda a estética de “Confessions On A Dancefloor”: Um disco amistoso, dançante e minimalista.

Na verdade, as três primeiras faixas deste disco montam uma espécie de triologia. Um épico do Pop pronto pra arrebentar nas pistas; “Hung Up” faz parecer que um enorme globo de espelhos vá descer a qualquer momento, “Get Together” traz uma profusão de luzes colorindo o ambiente enquanto “Sorry” – que soa mais como uma crítica à política norte-americana e/ou ao Vaticano – explode num emaranhado de sonoridades pesadas e contagiantes.

Outras que merecem destaque em “Confessions On A Dancefloor” são: “Jump” e sua batida viciante; “Forbidden Love” na sua sutileza e “Like It Or Not” fechando o disco magistralmente. Mesmo algumas se destacando mais que as outras, todas as doze faixas do álbum são ótimas, coisa rara – não para Madonna, claro.

Madonna conseguiu uma proeza com este trabalho. Ao mesmo tempo que fez uma volta a Disco Music – e sem pecar por extravagâncias ou algo muito retrô – sapecou elementos de sua própria carreira, mostrando que existe espaço para confessar aquilo que um mercado saturado parecia não querer escutar.

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Atualização: Os 101 Discos para Ouvir no Banho

25/09/084

Hoje atualizei a nossa lista dos 101 Discos para Ouvir no Banho. Foram trocados 15 discos! O motivo da troca foi porque escutei novos trabalhos nos últimos meses e achei que seria pertinente dar um up na lista. Para ver quais os discos que entraram e saíram, clique aqui!

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Elis & Tom; Elis Regina & Tom Jobim

03/09/082
  • Elis & Tom; Elis Regina & Tom Jobim
    1. Nota: 5,0
    2. Selo: Philips
    3. Ano: 1972
    4. Gênero: MPB/Bossa Nova

O resultado de quando se coloca no mesmo estúdio um dos músicos mais importantes da história e a cantora de maior sucesso do Brasil, é um disco que já nasceu com cara de clássico e também repleto deles. Gravado, editado e lançado em 1974, o antológico encontro de Antônio Carlos Jobim e Elis Regina deu à música (não apenas a brasileira) inestimável presente: “Elis & Tom”.

Após uma década fria entre os dois, causada pelo veto de Jobim à cantora na trilha-sonora de “Pobre Menina Rica”, Elis Regina pediu a André Midani (presidente da gravadora Philips) um disco ao lado do mestre da Bossa Nova. Contrato acertado, Elis e seu marido, César Camargo Mariano, se dirigiram a Los Angeles, onde Tom morava na época.

Em primeiro momento, pareceu haver uma tensão no estúdio. Tom Jobim não entendeu o porquê de Elis levar uma comitiva enorme para os Estados Unidos e não gostou muito da idéia de Camargo ser um dos produtores escalados. Mas tudo não passou de um mal entendido e furor do primeiro encontro.

Durante quatro dias, a equipe se trancafiou no estúdio MGM e só saiu de lá quando as quinze canções escolhidas numa lista de vinte e cinco foram gravadas. Curiosamente, Elis vetou a (única) faixa em inglês “Bonita”, alegando que seu sotaque não estava suficientemente bom.

O disco é aberto pela eterna “Águas de Março”, Elis e Tom fundem suas vozes numa plácida dicotomia. A espetacular “Só Tinha de Ser com Você” ficou mais envolvente e sensual na doce voz de Elis. “Corcovado” perdeu os graves que a tornaram mundialmente famosa na interpretação de Frank Sinatra. A lamuriosa “Por Toda a Minha Vida” ficou com ares mais esperançosos e cândidos. “Chovendo na Roseira” e sua aparência infantil anuncia a última faixa, “Inútil Paisagem”.

Em 2007, quando o trabalho completou 30 anos, a gravadora Trama (de propriedade de João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina) em parceria com a Universal Music (detentora dos direitos de “Elis & Tom”), o relançou em edição especial com áudio de altíssima qualidade.

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Você Não Me Conhece; Jay Vaquer

28/06/083
  • Você Não Me Conhece; Jay Vaquer
    1. Nota: 4,5
    2. Selo: EMI
    3. Ano: 2005
    4. Gênero: Pop/Rock

Muito se percebe a queda na qualidade da música brasileira. O nosso Pop foi perdendo o brilho no decorrer da década de noventa. Mas, escutar algum artista nacional de bom nível faz a esperança voltar e os ouvidos perceberem que muita coisa boa ainda é produzida e jogada no mercado.

O músico carioca Jay Vaquer é um dos que figuram como salvadores da pátria. Com quatro discos lançados, Jay é filho de peixes e respira música desde criança, o que explica o seu domínio para compor e produzir canções que vão além de meras notas perdidas em letras bizarras. Ele é filho da cantora paraense Jane Duboc e do guitarrista estadunidense Jay Anthony, que já foi parceiro de Raul Seixas.

O terceiro disco do rapaz, “Você Não Me Conhece” (lançado pela EMI em 2005), desponta como um dos grandes trabalhos do Pop Rock nacional contemporâneo. Ao todo, são onze faixas repletas de instrumentais bem colocados; vocais que alternam entre notas rígidas e falsetes controlados; e letras voltadas para críticas sociais.

“Cotidiano de Um Casal Feliz”, a segunda música, narra o dia de uma perfeita família de classe média urbana; uma relação vazia, sem cultura, consumidora de drogas, tratamentos psiquiátricos, travestis e uma infinidade de coisas que ficam debaixo do tapete. Já “Mondo Muderno” usa da ironia para caracterizar a maneira caótica como se dão as relações humanas atualmente.

A faixa-título, “Você Não Me Conhece”, pode parecer muitas coisas; críticas à religião e seu moralismo coexistem numa composição nada sutil. Enquanto a última canção, “Paredes”, tem elementos depressivos e às vezes desconexos; o romantismo fica bem representado nas influências latinas de “Toda Distância”.

“Você Não Me Conhece” é uma metáfora, e também um instigante convite para desvendar um trabalho paradoxalmente bem encorpado e cru. Jay Vaquer não é conhecido do grande público, o que lhe dá mais liberdade artística e intelectual. Ele pode até ter certo ar cult e blasé; mas se inspira em elementos Pop para fazer seu som.

Escutar qualquer um dos discos de Vaquer é, certamente, uma boa experiência. Muito talento para a pouca idade, deixando claro que a maturidade não foi uma qualidade que ficara nas nostalgias do passado. Jay provou que se pode, sim, fazer boa música nos vazios tempos atuais.

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Daydream; Mariah Carey

20/06/082
  • Daydream; Mariah Carey
    1. Nota: 5,0
    2. Selo: Columbia
    3. Ano: R&B
    4. Gênero: R&B

Mariah Carey se destacou durante a década de 1990, tendo uma das carreiras mais bem sucedidas do cenário musical estadunidense. Há treze anos chegava às lojas seu sexto disco, “Daydream”. Para muitos, é o seu melhor trabalho; para tantos outros, apenas mais uma coleção de canções sem graça e repletas de berros. Independente de qual o posicionamento musical do ouvinte, os predicados deste trabalho não podem ser esquecidos.

Na época, Carey tinha apenas 25 anos e já mostrava segurança como intérprete e capacidade como compositora e produtora. Exceto a regravação de “Open Arms”, música da década de 1980, todas as outras onze faixas são de sua autoria; sozinha ou ao lado de produtores respeitados.

Mariah ainda era casada com Tommy Mottola, até então presidente de sua gravadora, a gigante Sony Music. Tommy controlava todos os passos da vida profissional e pessoal da esposa. E é justamente pela presença de um vilão, que “Daydream” se transforma num trabalho diferente de seus melodramáticos lançamentos anteriores.

A conseqüência de Tommy mandar e desmandar em qualquer melodia que o desagradasse, fez da melancolia elemento principal presente do primeiro ao último segundo dos devaneios de Mariah. Mesmo a primeira faixa, “Fantasy”, se destacando pelo ritmo dançante, fica claro que ela queria de todo modo mudar os caminhos de sua vida.

Seria fácil falar as qualidades de uma por uma das canções disponíveis neste trabalho; porém, algumas se destacam. “Underneath The Stars” te transporta para os anos sessenta em um respeitoso tributo à era Minnie Ripperton. “Always Be My Baby” tem refrão contagiante. “One Sweet Day” é uma reflexão sobre a morte e a esperança de reencontrar, um dia, com a pessoa que se perdeu. “Looking In”, pra finalizar, te induz a pensar em quem é você em meio a tantos paradigmas.

“Daydream” é, em todos os aspectos, uma outra Mariah Carey dessa conhecida nos dias de hoje. Num composto de sonhos juvenis com a maturidade forçada, acima da imagem de cantora da voz descomunal, aqui está estampado a mulher que realizara o sonho americano; mas, com olhar opaco e alma calejada. Infelizmente, hoje ela dificilmente faria algo do mesmo patamar. Pobre Mariah, ela apenas deixou de lutar e virou refém de suas próprias ilusões.

Quem Faz

André PachecoAndré Pacheco cursa Jornalismo e trabalha como webdesigner, adora cultura pop, novidades e leitura. Viciado no Twitter, gosta de música e também escreve no “Eu Quero Saber”.

Eduardo NascimentoEduardo Nascimento estuda Jornalismo. Gosta de cinema e música em excesso, porém é um pseudo-escritor-frustrado. Acredita em signos, já que só se fode por ser geminiano. Vez ou outra bate cartão no Twitter e no seu blog “Chelsea Boulevard”.

Fabiana LovatiFabiana Lovati é estudande de Publicidade e trabalha com mídias sociais. Viciada em internet, música, cultura pop, assuntos aleatórios e pizza. Também bomba no Twitter e escreve no blog “Achei Tendência”.

Luccas BelfortLuccas Belfort considera o Twitter amigo do peito. Estuda Design Digital, mas insiste em querer ser alguém na blogosfera. Sua vida se resume a Britney Spears, década de 90 e cerveja.

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