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Legal?NãoSimnada ainda

A Internet e a nova cultura de consumo musical

27/09/093

Eu já fui um comprador de CDs compulsivo. Do tipo que tinha discografias completas e dava mais valor ao CD produto do que o que ele continha de fato: música. Na época, a indústria fonográfica era bilionária, e mandava em meio mundo, com artistas deificados e uma multidão de fãs que não tinha problema nenhum em cometer as maiores loucuras para ver e ouvir seus ídolos.

Não vou entrar em detalhes, mas a internet varreu as bases de sustentação da indústria musical para baixo do tapete sem dó ou piedade. Muitos dizem que isso representou a morte dos artistas, mas essa claramente é a típica visão de quem tá com os bolsos cada vez mais vazios, como é o caso da Sony BMG e Warner, por exemplo.

O fato é que uma geração antes da atual, só se conhecia música de uma maneira: rádios. Os mais “antenados” (sim, antenados não nasceram ontem) iam a festivais e compravam publicações musicais, mas não passava disso. Em essência, isso significa que toda e qualquer informação que se recebia de música estava sujeita a opinião de alguém, ou a acordos comerciais (não me entendam mal, sou fã de revistas de música, como a Rolling Stone e rádios são ótimas formas de matar o tédio, mas não se deve ficar limitado a isso). Continue Lendo…

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Como é difícil ser evangélico

04/08/0952

Um dia desses estava eu pensando com meus botões: Como deve ser difícil ser evangélico. Tentei me colocar no lugar desse grupo social tantas vezes maltratado por uma sociedade hipócrita e baseada em valores arcaicos.

Por mais que não compartilhe do que eles são, achei importante tentar sentir e entender o sofrimento causado pelo enorme preconceito a que esse grupo está à mercê.

Pois bem, vamos as minhas divagações…

Primeiro, o processo de se descobrir evangélico deve trazer muita confusão psicológica. Quando criança, principalmente, saber que é diferente do resto dos colegas de sala, não gostar da Virgem Maria e ter que escutar piadas o tempo todo, além das outras crianças gritando “crente da bunda quente, crente da bunda quente…”.

Mas o pior deve ser quando ele chega em casa e conta aos pais que foi chamado de evangélico ou crente pelos coleguinhas, ou chora porque percebeu que a professora mesmo repreendendo os outros deu um leve sorriso de deboche. Criança percebe o mundo que pode ou não fazer parte.

Feito cego em tiroteio, essa criança escuta dos pais para ele não ligar. Os colegas são invejosos e o filho não seria evangélico mesmo. Porém, no fundo os pais sabem da condição da criança, mas têm medo de deixar que seu pequeno crente saiba de sua condição totalmente natural à espécie. Muitos pais de evangélicos prefeririam ter filhos traficantes, bandidos ou drogados. E a maioria fala isso para o filho.

E é nesse contexto que ele vai crescendo e tentando manter sua sanidade. Rodeado por pessoas dizendo que não pode ser assim, que é errado, anti-natural. Ele fica constrangido, pois na televisão os evangélicos sempre são retratados de forma afetada. Ele fica com medo, pois pessoas esperam evangélicos nas portas dos cultos para espancá-los. Ele fica frustrado, pois o Estado só reconhece os casamentos de católicos. Ele fica envergonhado, pois só pode rezar em cantos escuros ou lugares específicos.

Ele tenta mudar, um dia passa isso pela cabeça dele. Pois ele cansou de chorar pra si e lutar contra uma sociedade que não o quer. Ele procura um psicólogo, que garante 100% de cura ou seu dinheiro de volta. Vários deixaram de ser evangélicos, pensa. Pobre crente, ele só não acreditará mais em Deus, mas mesmo assim dentro de seu coração haverá algo falando, sussurrando…

Mas vários continuam lutando. Não necessariamente para transformarem todos em evangélicos, e sim para que possam dormir tranquilos à noite após suas orações.

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O irresistível ato de viver

30/07/095

Há muito tempo atrás, começamos a travar uma luta complexa. Amigos foram surgindo, inimigos criados, entidades personificadas, músicas cantadas, textos escritos, coisas nomeadas… Começamos uma nova etapa da nossa evolução. Criamos uma coisa que aqui no ocidente nos acostumamos a chamar de sociedade.

A história foi se desenvolvendo. Impérios cresceram, guerras aconteceram. Tudo muito rápido, pois se olharmos a imensidão negra e fria que nos cerca, somos um pedaço fragmentado e efêmero no tempo. Quer queiramos ou não, somos nada. Talvez um erro que quase deu certo.

E justamente por sermos um nada, precisamos criar artifícios para tentar compreender o mundo que nos envolve e a nós mesmos. Daí criamos deuses, santos, santas, anjos, demônios, fadas, estrelas pornôs… Colocamos para fora – e damos a esses seres imaginários e intocáveis – nossas fantasias e medos. Precisamos desesperadamente encontrar um motivo para viver.

Há muito já perdemos a simplicidade. Não somos meros pedaços de carne que seguem uma cartilha já pré-estabelecida. Temos uma mente vasta, passível de criar e pensar (mesmo alguns se recusando a colocar a máquina pra funcionar). Mas algo nos puxa ao inferno, pois mesmo assim continuamos na nossa posição de nada.

Alguns querem transcender esse nada, e se projetarem em batalhas místicas internas. Outros preferem continuar na mediocridade forçada por outros que têm medo de compreender esse nada. No meio termo, infelizmente alguns tantos se complicam e fazem de suas jornadas um pesadelo relegando à humanidade um papel pior que o de nada.

De onde viemos? Pra onde vamos? Quem somos nós? – Não adianta enfeitar e fantasiar conclusões. As respostas sempre serão insuficientes e levarão – eterna e novamente – ao princípio. Seremos apresentados ao delicioso, intangível e eterno nada. E talvez por sermos um pedaço desse nada, a vida se mostrará cada dia mais irresistível.

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Sexo, Drogas e Pop Music

01/06/093

Quando eu participei do abaixo-assinado “Não Homofobia!” em finais do ano passado, senti que tinha feito o mínimo para cobrar do Estado uma postura mais ética para com a comunidade homossexual no Brasil.

Somente eu e mais 42 mil fizemos isso. Através do @gaybrasil li esta notícia hoje que me deixou muito chateado:

A Parada Gay do Rio, realizada em 12 de outubro do ano passado em Copacabana, com público de 1,5 milhão de pessoas, deu início ao movimento. Passados sete meses, porém, apenas 42 mil assinaturas foram registradas no site da campanha em apoio ao PLC 122/2006.

Ou seja. Pra ir numa merda de parada, aparece mais de um milhão de pessoas. Para assinar uma merda de um abaixo-assinado que vai defender o grupo, só 42 mil gatos pingados dão o ar da graça.

Pois é, enquanto você, barbie-de-academia ou bicha-pão-com-ovo, fica depilando suas costas, limpando sua cútis, bronzeando o corpinho sarado e discutindo se tamanho é documento ou não, a bancada evangélica no Congresso (de longe os maiores inimigos da comunidade) estão conseguindo deixar sua vida mais difícil, e através da lei.

Outdoor da campanha “Não Homofobia”

Parabéns, gays do Brasil! É de encher os olhos de brilho uma parada gay com muita gente, e só isso basta. Pra que uma palhaçada de lei, não é? O legal é sexo, drogas e Pop Music.

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Defendo os Desiguais

26/05/0916

Ultimamente tenho pensado muito numa maldita frase que Voltaire um dia resolveu profetizar, e que é algo mais ou menos assim:

“Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.”

Daí em diante, um monte de gente começou a levar ao pé-da-letra e saiu aos quatro ventos falando que devemos respeitar a maneira de fulano pensar e externar suas ideias, que isso é importante pra democracia e que faz o mundo mais belo e justo.

Sem querer causar alguma polêmica, mas… Isso pra mim é uma balela das grandes.

Olha só, não sou o tipo que defende ditaduras e ache que o mundo tem que ser formado apenas por uma etnia. Muito pelo contrário, quanto mais plural, mais justa será a sociedade. Só que ao contrário de um monte de ignorante com quem tenho convívio forçado diariamente, eu tenho o mínimo de discernimento.

A sociedade vive em constante mudança, e isso é fato indiscutível quer os entusiastas da Idade Média gostem ou não. Coisas que há 20 anos eram impensáveis, hoje já é normal. E muita gente não consegue compreender (seja por preguiça ou burrice mesmo) que ninguém é obrigado e estar em regras sociais ridículas para estar feliz.

E nisso que entra a minha implicância com os evangélicos e católicos ortodoxos, por exemplo. Imaginemos três situações hipotéticas:

Situação 01: Maria de Jesus esbraveja que homossexuais são amorais e não podem ter nenhum direito civil assegurado pelo Estado. Segundo Maria, é porque Deus não gosta.

Situação 02: Branquelo Azedo idolatra um tal de Hitler, acha seus ideais importantes e por isso ele pega um judeu qualquer que viu na rua e o espanca até a morte.

Situação 03: Filho da Puta tem 19 anos, mora num bairro de classe média e num domingo tedioso taca fogo num morador de rua. Ele diz que queria se divertir com a galera.

São três situações que vemos na imprensa vez ou outra. E que, infelizmente, coloca a dignidade física e moral de pessoas em risco. Por quê? Porque num belo dia, um babaca falou que temos que respeitar o direito das pessoas terem sua própria consciência.

Aqui no Brasil parece que a situação se complica mais, já que possuímos a péssima premissa de achar que algumas coisas não de discutem. Daí vem um ou outro que fala o contrário e logo já é taxado de extremista. Vão por mim, sou chamado de extremista várias vezes por semana.

Sou extremista por ter plena convicção que não devemos tirar de grupos sociais minoritários o direito à vida, à dignidade e ao bem estar? Se isso for extremista, sou extremista confesso.

Por mim, os cristãos rezem pra quem eles querem que esteja pregado numa cruz. Mas não me venham falar que eu sou amoral por não acreditar em nenhuma palavra que tá escrita num livro velho e ultrapassado. E que eles fiquem quietinhos na deles e permitam que os homossexuais tenham direitos civis.

Sobre os neonazistas? Pois é, camaradas. Mesmo sendo crime (com razão) idolatrar tal ideologia assassina, uma penca acha lindo isso da mesma forma que filhinhos de papai acham divertido espancar prostitutas, travestis e negros pobres.

A igualdade só é garantida quando existe respeito aos desiguais. E se respeitar os que mais sofrem é ser politicamente correto, sejamos para assim garantirmos que crimes hediondos contra a humanidade não se repitam jamais.

Quem Faz

André PachecoAndré Pacheco cursa Jornalismo e trabalha como webdesigner, adora cultura pop, novidades e leitura. Viciado no Twitter, gosta de música e também escreve no “Eu Quero Saber”.

Eduardo NascimentoEduardo Nascimento estuda Jornalismo. Gosta de cinema e música em excesso, porém é um pseudo-escritor-frustrado. Acredita em signos, já que só se fode por ser geminiano. Vez ou outra bate cartão no Twitter e no seu blog “Chelsea Boulevard”.

Fabiana LovatiFabiana Lovati é estudande de Publicidade e trabalha com mídias sociais. Viciada em internet, música, cultura pop, assuntos aleatórios e pizza. Também bomba no Twitter e escreve no blog “Achei Tendência”.

Luccas BelfortLuccas Belfort considera o Twitter amigo do peito. Estuda Design Digital, mas insiste em querer ser alguém na blogosfera. Sua vida se resume a Britney Spears, década de 90 e cerveja.

Iarnuou
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