

“(What’s The Story) Morning Glory?”, segundo disco do Oasis, segue uma proposta diferente de “Definitely Maybe”, lançado um ano antes. O trabalho firmou-se como o auge do Britpop e transformou, de uma vez por todas, os garotos vindos de Manchester em os novos ícones da música britânica, ficando atrás dos Beatles.
Mas se engana quem pense que o Oasis ganhou notoriedade apenas pela musicalidade. As constantes brigas entre os irmãos Liam e Noel Gallagher e as alfinetadas com o Blur (outra banda inglesa que se destacava na época) contribuíram bastante para a exacerbada exposição dada à banda com esse segundo trabalho.
Talvez seja pelo inconstante controle emocional de seus membros que “(What’s The Story) Morning Glory?” é um disco fantástico e quase próximo à perfeição. Analisadas uma a uma, as músicas soam diferentes uma das outras, mas no fim, funcionam muito bem juntas, como se fossem uma história. A trilha-sonora da Inglaterra, com seus pubs, sua energia enigmática, seu humor e fins de semana nublados.
A primeira faixa, “Hello”, sintetiza bem a idéia de dualidade. Se num primeiro momento a composição remete a alguma fossa ou depressão pós-relacionamento, em poucos instantes vira um aviso que o problema da relação não era o narrador; a tão famosa arrogância britânica está muito bem representada.
Pulando a segunda música, “Roll With It”, deparamos com a fantástica “Wonderwall”, que virou hit em quase todo o planeta. O refrão cola, a letra é simples e a melodia é bastante reflexiva. A voz de Liam brincou entre tons abusados e sensuais, predicado que soube fazer muito bem em quase todo o disco. Ele não é dono de um vozeirão, o que nunca se mostrou empecilho pra sua liberdade criativa e desempenho como cantor.
“Cast No Shadow” e “Champagne Supernova” são repletas de nuances. Ao mesmo tempo em que servem como releitura de clássicos, colocam a forte e insana personalidade do Oasis como estampa principal. A primeira funciona como uma carta aberta para a juventude pós-moderna e sem personalidade, que nascera no fim década de 1970 e vivia o auge econômico em meados da década de 1990. A segunda, a última faixa do disco, parece desconexa e resultado de uma viagem causada por entorpecentes, experiências espirituais ou tentativas de suicídio.
Beirando ao cômico, tanto na letra e na melodia, “She’s Eletric” também merece destaque nas 10 músicas que compõem “(What’s The Story) Morning Glory?”, as outras duas não recebem nomes e fazem o papel de ponte entre as três partes que o disco é dividido. E, usando uma das perguntas feitas no refrão, “do you know what I’m saying?”: Se saber o que o Oasis quis dizer é ter ciência que eles beiraram ao profissionalismo e à magia que a boa música pode causar? Sim, o mundo todo já sabe!

Com a ajuda de várias pessoas, Vestiário fez a lista dos 101 Discos para Ouvir no Banho. Tem de tudo! Do Samba ao Rock. Do R&B às contagiantes batidas latinas. Pop, Hip-Hop, Progressivo.
A idéia foi fazer uma lista eclética, e selecionar apenas 101 dos inúmeros discos que apareceram não foi tarefa das mais fáceis. Não existe nenhuma pretensão de compilar (pelo menos por agora) os discos que julgamos os mais importantes da história da música. Continue Lendo…
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