
Não adianta, em qualquer discussão política – seja na academia com sua petulância científica ou num boteco com seu bafo etílico – as pessoas vão cair na dualidade “Direita versus Esquerda”. É clichê? Não, porque essa divisão persiste até hoje. E quem implica mais com esse muro e teima em dizer que ele caiu? A Direita.
A sempre presente, arrogante e estúpida Direita.
Só pra situar, essa divisão surgiu num dado momento durante a Revolução Francesa, quando do lado esquerdo do rei se sentavam os que propunham mudanças (indo contra as decisões da corte) e do lado direito o clero e a nobreza. Daí vem a tradição que direitistas são conservadores.
Ao longo do século 20, a Esquerda foi erroneamente ligada ao conceito de Comunismo. E com a queda do Muro de Berlim, acreditou-se que os pensamentos da Esquerda estariam pra todo sempre enterrados. Acreditou-se não, a Direita fez que as pessoas pensassem assim. Pois, é claro, a Direita quer que o mundo creia em suas tramóias e farsas; e tanto quer, que se apodera da língua ditando o significado das palavras a seu bel prazer.
A Direita fez as pessoas acreditarem que a liberdade é um direito natural devendo ser respeitado, mas não podendo esbarrar no limite da moral cristã. A Direita é conservadora, mas se apoderou da democracia para frear qualquer tentativa de progresso. A Direita diz que o Estado deve ser mínimo, mas almeja seus filhos estudando numa universidade pública. A Direita transformou mulheres em objetos de procriação e prazer carnal ao macho, mas dita que elas devem ser imaculadas até a morte.
A Direita se apoderou tanto da língua, que paradoxo virou sua denominação e ironia sua maneira de agir.
A Direita aponta o dedo na cara de quem a critica, dizendo que deve procurar o lugar do mundo onde o Comunismo deu certo. Mas quem aqui falou em Comunismo? A Direita é tão arrogante, que não aceita críticas; porém, suas ideias são efêmeras, e mais cedo ou mais tarde cairão, não porque ela permite, mas porque sua maneira de agir é fraca.
A Direita baseia-se em controlar as pessoas. O ser humano não é um ser imutável, a Esquerda sabe disso enquanto a Direita teima em dizer que somos imagem e semelhança de um de seus devaneios criacionistas.
Chore, esperneie e dê tiros, direitista. Nada vai mudar a ordem natural que faz o mundo girar: O ser humano não aceita ser controlado, um dia ele cansa e vai buscar explicações e maneiras de pensar além do medíocre panis et circenses oferecido por você. O seu nível intelectual, direitista arrogante, pode ser comparado ao de uma esponja do mar.
Largue de ser mimado, direitista, e aceite: Vão-se os anéis, ficam os dedos. E a você, ofereço o meu dedo do meio da mão esquerda!
Um dia desses estava eu pensando com meus botões: Como deve ser difícil ser evangélico. Tentei me colocar no lugar desse grupo social tantas vezes maltratado por uma sociedade hipócrita e baseada em valores arcaicos.
Por mais que não compartilhe do que eles são, achei importante tentar sentir e entender o sofrimento causado pelo enorme preconceito a que esse grupo está à mercê.
Pois bem, vamos as minhas divagações…
Primeiro, o processo de se descobrir evangélico deve trazer muita confusão psicológica. Quando criança, principalmente, saber que é diferente do resto dos colegas de sala, não gostar da Virgem Maria e ter que escutar piadas o tempo todo, além das outras crianças gritando “crente da bunda quente, crente da bunda quente…”.
Mas o pior deve ser quando ele chega em casa e conta aos pais que foi chamado de evangélico ou crente pelos coleguinhas, ou chora porque percebeu que a professora mesmo repreendendo os outros deu um leve sorriso de deboche. Criança percebe o mundo que pode ou não fazer parte.
Feito cego em tiroteio, essa criança escuta dos pais para ele não ligar. Os colegas são invejosos e o filho não seria evangélico mesmo. Porém, no fundo os pais sabem da condição da criança, mas têm medo de deixar que seu pequeno crente saiba de sua condição totalmente natural à espécie. Muitos pais de evangélicos prefeririam ter filhos traficantes, bandidos ou drogados. E a maioria fala isso para o filho.
E é nesse contexto que ele vai crescendo e tentando manter sua sanidade. Rodeado por pessoas dizendo que não pode ser assim, que é errado, anti-natural. Ele fica constrangido, pois na televisão os evangélicos sempre são retratados de forma afetada. Ele fica com medo, pois pessoas esperam evangélicos nas portas dos cultos para espancá-los. Ele fica frustrado, pois o Estado só reconhece os casamentos de católicos. Ele fica envergonhado, pois só pode rezar em cantos escuros ou lugares específicos.
Ele tenta mudar, um dia passa isso pela cabeça dele. Pois ele cansou de chorar pra si e lutar contra uma sociedade que não o quer. Ele procura um psicólogo, que garante 100% de cura ou seu dinheiro de volta. Vários deixaram de ser evangélicos, pensa. Pobre crente, ele só não acreditará mais em Deus, mas mesmo assim dentro de seu coração haverá algo falando, sussurrando…
Mas vários continuam lutando. Não necessariamente para transformarem todos em evangélicos, e sim para que possam dormir tranquilos à noite após suas orações.
Há muito tempo atrás, começamos a travar uma luta complexa. Amigos foram surgindo, inimigos criados, entidades personificadas, músicas cantadas, textos escritos, coisas nomeadas… Começamos uma nova etapa da nossa evolução. Criamos uma coisa que aqui no ocidente nos acostumamos a chamar de sociedade.
A história foi se desenvolvendo. Impérios cresceram, guerras aconteceram. Tudo muito rápido, pois se olharmos a imensidão negra e fria que nos cerca, somos um pedaço fragmentado e efêmero no tempo. Quer queiramos ou não, somos nada. Talvez um erro que quase deu certo.
E justamente por sermos um nada, precisamos criar artifícios para tentar compreender o mundo que nos envolve e a nós mesmos. Daí criamos deuses, santos, santas, anjos, demônios, fadas, estrelas pornôs… Colocamos para fora – e damos a esses seres imaginários e intocáveis – nossas fantasias e medos. Precisamos desesperadamente encontrar um motivo para viver.
Há muito já perdemos a simplicidade. Não somos meros pedaços de carne que seguem uma cartilha já pré-estabelecida. Temos uma mente vasta, passível de criar e pensar (mesmo alguns se recusando a colocar a máquina pra funcionar). Mas algo nos puxa ao inferno, pois mesmo assim continuamos na nossa posição de nada.
Alguns querem transcender esse nada, e se projetarem em batalhas místicas internas. Outros preferem continuar na mediocridade forçada por outros que têm medo de compreender esse nada. No meio termo, infelizmente alguns tantos se complicam e fazem de suas jornadas um pesadelo relegando à humanidade um papel pior que o de nada.
De onde viemos? Pra onde vamos? Quem somos nós? – Não adianta enfeitar e fantasiar conclusões. As respostas sempre serão insuficientes e levarão – eterna e novamente – ao princípio. Seremos apresentados ao delicioso, intangível e eterno nada. E talvez por sermos um pedaço desse nada, a vida se mostrará cada dia mais irresistível.
Quando eu participei do abaixo-assinado “Não Homofobia!” em finais do ano passado, senti que tinha feito o mínimo para cobrar do Estado uma postura mais ética para com a comunidade homossexual no Brasil.
Somente eu e mais 42 mil fizemos isso. Através do @gaybrasil li esta notícia hoje que me deixou muito chateado:
A Parada Gay do Rio, realizada em 12 de outubro do ano passado em Copacabana, com público de 1,5 milhão de pessoas, deu início ao movimento. Passados sete meses, porém, apenas 42 mil assinaturas foram registradas no site da campanha em apoio ao PLC 122/2006.
Ou seja. Pra ir numa merda de parada, aparece mais de um milhão de pessoas. Para assinar uma merda de um abaixo-assinado que vai defender o grupo, só 42 mil gatos pingados dão o ar da graça.
Pois é, enquanto você, barbie-de-academia ou bicha-pão-com-ovo, fica depilando suas costas, limpando sua cútis, bronzeando o corpinho sarado e discutindo se tamanho é documento ou não, a bancada evangélica no Congresso (de longe os maiores inimigos da comunidade) estão conseguindo deixar sua vida mais difícil, e através da lei.
Outdoor da campanha “Não Homofobia”
Parabéns, gays do Brasil! É de encher os olhos de brilho uma parada gay com muita gente, e só isso basta. Pra que uma palhaçada de lei, não é? O legal é sexo, drogas e Pop Music.
Ultimamente tenho pensado muito numa maldita frase que Voltaire um dia resolveu profetizar, e que é algo mais ou menos assim:
“Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.”
Daí em diante, um monte de gente começou a levar ao pé-da-letra e saiu aos quatro ventos falando que devemos respeitar a maneira de fulano pensar e externar suas ideias, que isso é importante pra democracia e que faz o mundo mais belo e justo.
Sem querer causar alguma polêmica, mas… Isso pra mim é uma balela das grandes.
Olha só, não sou o tipo que defende ditaduras e ache que o mundo tem que ser formado apenas por uma etnia. Muito pelo contrário, quanto mais plural, mais justa será a sociedade. Só que ao contrário de um monte de ignorante com quem tenho convívio forçado diariamente, eu tenho o mínimo de discernimento.
A sociedade vive em constante mudança, e isso é fato indiscutível quer os entusiastas da Idade Média gostem ou não. Coisas que há 20 anos eram impensáveis, hoje já é normal. E muita gente não consegue compreender (seja por preguiça ou burrice mesmo) que ninguém é obrigado e estar em regras sociais ridículas para estar feliz.
E nisso que entra a minha implicância com os evangélicos e católicos ortodoxos, por exemplo. Imaginemos três situações hipotéticas:
Situação 01: Maria de Jesus esbraveja que homossexuais são amorais e não podem ter nenhum direito civil assegurado pelo Estado. Segundo Maria, é porque Deus não gosta.
Situação 02: Branquelo Azedo idolatra um tal de Hitler, acha seus ideais importantes e por isso ele pega um judeu qualquer que viu na rua e o espanca até a morte.
Situação 03: Filho da Puta tem 19 anos, mora num bairro de classe média e num domingo tedioso taca fogo num morador de rua. Ele diz que queria se divertir com a galera.
São três situações que vemos na imprensa vez ou outra. E que, infelizmente, coloca a dignidade física e moral de pessoas em risco. Por quê? Porque num belo dia, um babaca falou que temos que respeitar o direito das pessoas terem sua própria consciência.
Aqui no Brasil parece que a situação se complica mais, já que possuímos a péssima premissa de achar que algumas coisas não de discutem. Daí vem um ou outro que fala o contrário e logo já é taxado de extremista. Vão por mim, sou chamado de extremista várias vezes por semana.
Sou extremista por ter plena convicção que não devemos tirar de grupos sociais minoritários o direito à vida, à dignidade e ao bem estar? Se isso for extremista, sou extremista confesso.
Por mim, os cristãos rezem pra quem eles querem que esteja pregado numa cruz. Mas não me venham falar que eu sou amoral por não acreditar em nenhuma palavra que tá escrita num livro velho e ultrapassado. E que eles fiquem quietinhos na deles e permitam que os homossexuais tenham direitos civis.
Sobre os neonazistas? Pois é, camaradas. Mesmo sendo crime (com razão) idolatrar tal ideologia assassina, uma penca acha lindo isso da mesma forma que filhinhos de papai acham divertido espancar prostitutas, travestis e negros pobres.
A igualdade só é garantida quando existe respeito aos desiguais. E se respeitar os que mais sofrem é ser politicamente correto, sejamos para assim garantirmos que crimes hediondos contra a humanidade não se repitam jamais.
André Pacheco cursa Jornalismo e trabalha como webdesigner, adora cultura pop, novidades e leitura. Viciado no Twitter, gosta de música e também escreve no “Eu Quero Saber”.
Eduardo Nascimento estuda Jornalismo. Gosta de cinema e música em excesso, porém é um pseudo-escritor-frustrado. Acredita em signos, já que só se fode por ser geminiano. Vez ou outra bate cartão no Twitter e no seu blog “Chelsea Boulevard”.
Fabiana Lovati é estudande de Publicidade e trabalha com mídias sociais. Viciada em internet, música, cultura pop, assuntos aleatórios e pizza. Também bomba no Twitter e escreve no blog “Achei Tendência”.
Luccas Belfort considera o Twitter amigo do peito. Estuda Design Digital, mas insiste em querer ser alguém na blogosfera. Sua vida se resume a Britney Spears, década de 90 e cerveja.