

Não foi sem nenhum motivo que a Rolling Stone Brasil o elegeu como o melhor disco brasileiro de 2007, e que a crítica e o público o colocaram como um dos mais importantes Acústicos (MTv) já feitos. Nas 15 faixas disponíveis no CD – o DVD tem 21 – Paulinho da Viola reafirma sua posição magistral como representante fidedigno do Samba.
Ele não fez como vários artistas que seguem no mesmo projeto: simplesmente pegar os sucessos e os reciclar. Paulinho refez sua carreira em melodias aperfeiçoadas, densas e carismáticas; tudo envolto em muita calma e competência, suas marcas registradas. São quase cinqüenta anos de carreira, meio século servindo como referência para a MPB e sempre soando atual.
“Timoneiro”, a canção abre-alas, lançada originalmente em “Bebadosamba” (1996), começa ponderada, quase que singela, para em poucos segundos explodir em um ritmo categórico, digno dos clássicos de Cartola. Assim é a musicalidade de Paulinho, repleta de surpresas gostosas. “Pecado Capital” ao lado de “Coração Leviano” nos levam de volta à época dourada do Samba.
Outros destaques são “Ainda Mais”, “Coração Imprudente”, “Tudo se Transformou”, “Amor é Assim” e “Foi Demais”. “Nervos de Aço” entrou no repertório por ordem da gravadora, mas também merece mérito, mesmo não sendo de sua autoria.
Pouco mais de uma década sem lançar material novo, Paulinho dá um pequeno presente à MPB com as inéditas “Bela Manhã”, “Vai Dizer ao Vento” e “Talismã”; essa última com parceria de Marisa Monte e Nando Reis.
E, pelo visto, os fãs da boa música brasileira ficarão mais um tempo sem apreciar um novo disco de Paulinho da Viola. Mas, para salvar a nação, temos seu “Acústico MTv” que não deixa a desejar em se tratando de qualidade, nostalgia e raiz.
MPB, Paulinho da Viola, Samba