

Pouco mais de dois anos de espera, e os fãs de Madonna já podem colocar as mãos em seu mais novo trabalho, que chegou às lojas de quase todo o mundo no fim de abril. “Hard Candy” é, para muitos, sinal de mudança. Para outros, uma tentativa de agradar o mercado dos Estados Unidos - talvez a maior frustração de Madonna em termos de aceitação.
O que se pode dizer, certamente, é que o álbum é uma coletânea de possíveis e prováveis hits. Com uma proposta totalmente diferente de seu último lançamento - o eletrônico “Confessions On A Dance Floor”, que parecia mais uma mixtape repleta de sucessos como “Hung Up”, “Sorry” e “Get Together” - “Hard Candy” nasce para figurar entre os CDs Pop contemporâneos. Não, realmente não se trata de um álbum R&B, está mais para um Pop com elementos do Urban.
As 12 faixas da versão oficial buscam mostrar o poder de Madonna sobre o mundo. Primeiro ela tem uma loja com os mais deliciosos doces. Depois é a heroína de uma catástrofe mundial. Passa por momentos profundos e introspectivos. Enfrenta uma impostora. Dá aulas de espanhol com um tom cômico. E termina com uma proposta que tem tudo para ser um hino de amor/ódio com um toque S&M, tudo isso com referências não tão sutis ao sexo – o que é esperado, em se tratando de Madonna.
A produção, que fica por conta de Timbaland, Justin Timberlake, Pharrell Williams e da própria, não faz feio. Grande parte das faixas, porém, parecem um tanto quanto superproduzidas, como se Madonna estivesse tentando demasiadamente aproximar o CD da Black Music. São nesses momentos que alguns deslizes extremamente normais acontecem.
Esses, somados à falta de bridges e ao vocal que é metodicamente igual em todas as músicas, tornam alguns trechos do LP um tanto quanto entediantes – e até mesmo irritantes. É o caso das extremamente longas “She’s Not Me” e “Incredible”, onde repetições na letra somadas às constantes mudanças de melodias e o dispensável instrumental do final cansam o ouvinte. Parece que a tentativa de se fazer uma nova mixtape, dessa vez com um estilo diferente, não fora muito feliz.
Nenhum desses vacilos consegue ofuscar, porém, o brilho de canções espetaculares, como (a influenciada por “The One” de Kylie Minogue) “Heartbeat” e a introspectiva e obscura “Miles Away”. É no momento em que Madonna se rende a essa certa vibe underground que suas canções se aproximam do brilhantismo - “Voices” é talvez uma das mais interessantes surpresas no contexto de “Hard Candy”.
Embora as melodias sejam um tanto quanto plastificadas e lembrem, em muitos casos, outras já utilizadas por Brandy, Gwen Stefani, Nelly Furtado e o próprio Timberlake - todos esses artistas já foram produzidos por algum dos responsáveis por “Hard Candy” - é na extremamente original “Spanish Lesson” que Madonna consegue fugir de tudo isso, criando um ar nostálgico por conta da incorporação de elementos latinos à faixa, algo que há tempos não se identificava nas produções da cantora.
Vale lembrar, oportunamente, que as produções de Pharrell são infinitamente superiores às mesmices trazidas por Timbaland, enquanto os vocais de Justin falham na tentativa de acrescentar mais açúcar no pacote de doces trazido por Madonna. A faixa “4 Minutes” é a mais fraca do CD, enquanto “Dance 2Night” é um tanto quanto mediana e genérica.
A extensão de “Hard Candy” nos mostra que o 11º disco de estúdio de Madonna não fracassará. Não é o melhor trabalho de sua carreira, mas possui um apelo interessante à musicalidade contemporânea. A cantora disse que tenderia para a Black Music e, realmente, não estava brincando.
Entre a poluição sonora de músicas como o compacto “4 Minutes” e a necessidade de edição em trechos de “Give It 2 Me”, “She’s Not Me”, “Incredible” e “Devil Wouldn’t Recognize You”, Madonna consegue brilhar quando se deixa aproximar mais do Electro-Pop, mandando o desconforto do Urban pra longe e dominando o território que tem como refúgio certo.
Sem dúvida os remixes feitos para este CD serão incríveis. Cada música parece feita para se transformar em Eletrônico em sua versão remixada. Os quase 50 anos de vida e os mais de 25 de carreira certamente não anunciam seu fim. Madonna volta após quase três anos sem canções inéditas e não decepciona seus fãs e, surpreendentemente, nem alguém que não é seu fã, como eu.
Leia Também: Hip-Hop, Madonna, Pop, Urban ComentáriosParabens pela critica apesar de não concordar com tudo. Adoro 4 minutes. ![]()