Stripped; Christina Aguilera

Discos Resenhas 11/05/2008André Pacheco

  • Selo: RCA-BMG
  • Ano: 2002
  • Gênero: Pop

Ela era uma das lolitas mais comentadas nos Estados Unidos no final da década de 1990, servia ao público com músicas Pop glicosadas e tinha a “função” original de ser um modelo de comportamento. Mas, definitivamente, esses dois últimos predicados não eram a verdadeira Christina Aguilera.

Depois de um disco debute bem-sucedido, o estrondoso sucesso na releitura de “Lady Marmelade” – para o longa e musical “Moulin Rouge” – e extensas (e até cansativas) comparações à Britney Spears, Aguilera entrou em um momento íntimo, compôs suas próprias canções, definiu qual a linha musical que adotaria, refez sua imagem e desnudou-se completamente em “Stripped”.

Num disco que pode parecer pornográfico, a julgar pela capa e o compacto de estréia, “Dirrty”, ela mostra toda a versatilidade e beleza de sua voz. Músicas que contam a pequena e cativante história de uma garota que se fez mulher na frente dos holofotes; faixas produzidas com o intuito de mexer com o ouvinte, causando-lhe uma retórica sentimental que vai de problemas familiares à questões sexuais.

Christina flerta com o Rock em “Fighter” e “Make Over”. Mostra a sensualidade de suas raízes latinas em “Infatuation”. Ginga com o grosso Hip-Hop e Lil’ Kim na feminista “Can’t Hold Us Down”. Mas, basicamente, o disco é todo inspirado no R&B em suas variantes e precedentes. Não que ela aproveitou a ondinha do Pop negro, apenas usou seu gênero preferido e mais adequado para seu timbre.

Todos os produtores e parceiros foram bem selecionados, como Alicia Keys, que empresta os dedos e graves nas harmônicas notas de “Impossible”. O Gospel manda um alô em “Soar” e “Cruz”. “Walk Away” é formada por um denso Blues.

E, como era de se esperar, o público e a crítica receberam (depois que o frisson causado pela nova e apelativa imagem de Christina entrou em coma) de braços levantados para o céu – assim como ela na foto da capa – suas novas empreitadas numa musicalidade menos jovial e mais prudente. “Stripped” vendeu algo em torno de 11 milhões de cópias pelo mundo.

Ao lado de Linda Perry, Aguilera produziu a melhor – e mais aclamada – faixa de “Stripped”. “Beautiful” começa singela, num tom próximo à lamentação; com o passar do tempo, a tristeza de ser subjugado pela aparência exterior toma forma mais raivosa, mas sem perder a candura. A letra é universal, as batidas empolgantes e repletas de auto-estima.

“The Voice Within”, a décima oitava faixa, possui cativante e cristalina melodia num poema maduro e que expurga todos os seus traumas. Em trechos que parecem uma adulta Aguilera encontrando com ela criança, confortando-se em seus próprios braços a dor causada pelos maus tratos do pai, que são explicadas e choradas na próxima faixa, “I’m OK”.

As lembranças de uma infância tumultuada e traumática são acompanhadas de um vocal mais ríspido e abafado, lamúrias infantis nos primeiros segundos e um violão acoplado à sintetizadores. Tudo isso para dar o recado que ela está bem, e os traumas ficaram pra trás no passado que ela não faz a mínima questão de reviver.

Pra finalizar, a presunção convidativa de “Keep on Singin’ My Song”. Sem cair em imódica arrogância e autoconfiança, Christina Aguilera avisa que vai continuar cantando a sua música, com ou sem o respaldo dos que se dizem entendedores do nada erudito e lúdico mundo Pop; pois, afinal, ela não se despiu para os outros, e sim, para se enxergar melhor como artista e mulher.

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  • Julio:
    em 17/novembro/2008, às 4:26 pm

    eeei, sou dono do fansite CABR, da xtina. Gostei muito das resenhas que você fez de KGB e Stripped. E adoro seu site. Gostaria de saber, se você deseja entrar para os afiliados da nova versão do nosso site, que vai estreiar no próximo mês. Pode me add no msn se quiser. Desde já, obrigado

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