

Possivelmente, nenhum ser humano seria capaz de escutar em toda sua vida um número tão grande de discos. Ou, se conseguisse o feito, não seria tão eclético. O aclamado escritor Robert Dimery parece que chegou a tal ponto, e compilou em mais de 900 páginas os mais importantes lançamentos discográficos dos últimos 50 anos. São artistas das mais variadas influências em discos que pincelam por todos os gêneros musicais da pós-modernidade.
Com a ajuda dos 90 críticos musicais mais importantes da mídia - e um empurrãozinho de um dos fundadores da revista Rolling Stone, Michael Lydon – Dimery pouco peca em “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, e também não faz mais do mesmo. Além de uma referência para os amantes da música, o livro se comporta como um documento legítimo da história do mercado musical.
Primeiro, pelo excesso de produções oriundas dos Estados Unidos e Reino Unido. É inevitável não concordar que quase todos os movimentos musicais mais importantes da atualidade surgiram nos dois países. Segundo, porque ao acompanhar a maneira como os discos são organizados (por data de lançamento), se percebe as transformações ocorridas, não só no mundo da música, mas também na sociedade.
Da preservação dos bons costumes e dos amores eternos do pós-guerra. Passando pela busca do naturalismo nos anos 60. Na contracultura e nas contestações dos anos 70. Com os excessos e artifícios dos anos 80. No humanismo e nas lamentações dos anos 90. Na busca pela identidade na primeira metade da década de 2010. Todos os ideais que guiaram cada geração; todos os sons que causaram emoções positivas e negativas nas massas; todas as capas que estão na memória coletiva.
É a história da cultura de massa; escrita, comentada e registrada, e sem preconceitos ou picuinhas. De artistas que dominaram a Billboard, aos desconhecidos que de certa forma borbulharam em algum canto do mundo. Das tendências amadas e odiadas. Ler cada resenha é ter as portas abertas para um mundo novo, começar a perceber que existem muitos artistas e bandas além daqueles que formam nosso nicho. Os textos são magistralmente bem elaborados e de fácil assimilação.
Mas, nem tudo é perfeito. Alguns artistas são excessivamente lembrados, enquanto tantos são deixados de lado. Outros, nem mereciam, se quer, os seus nomes citados. Os trabalhos brasileiros presentes são os típicos que se podia esperar de uma publicação estrangeira. Erros, ou talvez contratempos, que não tiram os méritos de Robert Dimery. Uma obra indispensável para qualquer pessoa que não se interessa apenas em escutar música, mas também em se colocar como membro consumidor e produtor de cultura.
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