Que de um tempo pra cá a MPB (e todos os outros gêneros) começou a ser dominada pelas mulheres, não há como negar. E não apenas as cantoras “das antigas” garantem seu espaço, a “nova leva” também tem um lugar cativo na nossa música.
Compondo ou apenas interpretando, não importa: Uma voz feminina (aliada à técnica) consegue ser cristalina e dar à música a emoção que pouquíssimos homens sonham em alcançar.
Vivas ou falecidas, bonitas ou feias, líricas ou populares, subjetivas ou impessoais, frias ou sensuais. Seja no Samba, na Bossa Nova ou no Rock, Vestiário escolheu as As 10 Músicas Brasileiras Mais Legais das Mulheres. Ligue o som e encontre o verdadeiro talento da mulher brasileira.

O rosto já se encontra irreconhecível após inúmeras cirurgias plásticas, porém a voz continua lá, marcante e rouca. Elza Soares desceu da favela Água Santa (Rio de Janeiro) para se transformar numa figura importante da música brasileira. Sempre à frente, a cantora jogou limpo em 2002 na letra de “A Carne”, mostrando o racismo que impera aqui; a faixa está presente no disco “Do Cóccix Até o Pescoço”.
Com sua voz aguda e potente, a soteropolitana Gal Costa foi peça fundamental na Tropicália, o movimento musical que surgiu no Brasil em meados da década de 1960. A faixa “Baby” (composta por Caetano Veloso) está originalmente presente no importante disco “Ou Panis et Circenses”, e um ano depois foi incluída no primeiro disco solo da cantora, “Gal Costa” de 1969.

Cássia Eller faleceu em 2001 aos 39 anos. Musicalmente se dedicou mais ao Rock, estilo que combinava perfeitamente com sua postura masculina, presente até em seu timbre vocal. Escrita por Nando Reis, “O Segundo Sol” está presente no disco “Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo”, lançado em 1996.
Quando lançou seu primeiro disco, em 2003, Maria Rita escutava sempre comparações com sua mãe; mas também pudera, a moça é filha de Elis Regina. Em seu terceiro trabalho, “Samba Meu” (lançado em 2007), ela deixou de lado qualquer presunção em se tornar a nova joia intocável da MPB. Com ritmo gostoso, “Num Corpo Só” mostra uma Maria Rita mais descontraída e distante da figura endeusada de Elis.

Pouco conhecida aqui, a paulistana CéU representa muitíssimo bem nossa música no exterior. Seu disco debute, de 2005, chegou à posição 69 na lista Billboard Hot 200. Sua musicalidade é delicada e vai muito além dos padrões que se espera de uma talentosa cantora brasileira. A música “Malemolência” mescla elementos do Jazz e do Reggae, com uma pitada sensual de Samba.
Possivelmente “Como Nossos Pais” é a mais popular interpretação de Elis Regina. De autoria de Belchior, em todos os seus versos a música luta contra a ditadura militar que o Brasil viveu entre as décadas de 60 e 80. Essa odisseia é a primeira faixa do disco “Falso Brilhante”, de 1976, e nenhuma interpretação ou releitura chegará aos pés da versão de Elis Regina, morta em 1982 por overdose de drogas.

Rita Lee começou sua carreira na banda Os Mutantes, que esteve ao lado de Gal Costa, Caetano, Nara Leão e outros no movimento Tropicália. Após uma briga interna, a cantora foi convidada a sair da banda, e daí, começou sua carreira solo. Desbocada, autêntica e inteligente, Rita é a rainha do Rock brasileiro. “Ovelha Negra” foi lançada no LP “Fruto Proibido”, de 1976.
Quando escutamos Clara Nunes se deliciando no mais puro Samba, nunca imaginamos que no começo de sua carreira a cantora flertava com o Bolero. Graças aos Orixás, a mineira optou pelos sons que vão às nossas raízes. “Canto das Três Raças” está no disco homônimo lançado em 1976 e, segundo a própria, “é um resumo de toda a formação da Música Popular Brasileira”.

Lançada no disco “O Canto Livre de Nara”, “Carcará” tem menos de dois minutos de duração, letra poética e ritmo ríspido. Nara Leão era conhecida como a musa da Bossa Nova, possuía uma voz delicada e cândida. Em 1964 estreou o espetáculo “Opinião” (que um ano depois fora lançado em LP) com referências à ditadura militar, e “Carcará” fazia parte da lista de canções; porém, por motivos de saúde foi trocada por Maria Bethânia, que de maneira heroica a substituiu.
Quando lançou em 1994 seu terceiro disco, “Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão”, Marisa Monte já era considerada a maior cantora brasileira da década de 1990. Com letra de Carlinhos Brown, “Segue o Seco” traz elementos da música popular do Nordeste; e assim como o resto do álbum, procura viajar na poesia e métrica de nossa música, num lirismo poucas vezes visto em nosso país.
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Seguindo a ordem ou não as 10 melhores músicas, ou as 10 melhores cantoras do Brasil estão aí. Parabéns pela matéria.
cade a Claudia Leite??????
Com certeza Clara Nunes e Elis estão no top dos tops. Injusta na lista a filha Maria Rita que eu considero apenas clone da mãe.
Ivete, Claudia jamais terão o mesmo brilho dessas duas, simplesmente pq não nasceram deusas, apenas princesas.
a.do.rei a lista!
eu colocaria a maria betânia e a bebel gilberto ainda… só näo sei onde…
=)
Pô, sou leitor assíduo do blog (que está entre os favoritos do meu blog) e a lista dos discos pra ouvir no banho é uma das mais realistas que eu já vi. Morri de rir.
Mas essa lista… Sei não… Gostei da escolha das cantoras, mas as canções… Errr… Not.
A Céu, por exemplo, tem “Mais um lamento” que é infinitamente melhor que Malemolência. A Elis gravou “Agnus sei” de João e Aldir que também é mais bonita e menos carrancuda do que “Como nossos pais”. Marisa tem “Dança da solidão” e muitas outras (embora segue o seco seja muito bonita mesmo).
Mas “Num corpo só” é mesmo um estouro no norte.
Fazer uma lista de músicas é sempre um desafio. Ter que selecionar apenas algumas é muito complicado, ainda mais numa coisa tão subjetiva e pessoal.
Claro que faltaram mulheres maravilhosas como Bebel Gilberto, Maria Bethânia, Alcione, Fernanda Porto ou Beth Carvalho. Mas acho que fiz uma boa seleção, pela menos dentro do me propus a fazer.
Sobre a Maria Rita, tive minhas dúvidas, na verdade, muitas dúvidas. Mas, sei lá, eu gosto do som dela, da voz dela, por mais que ela “seja um clone da mãe”.
Valeu pelos comentários, fico feliz com as pessoas interagindo.
:D