Janet Jackson deu adeus a sua gravadora, a Island Records (braço da gigante Universal Music Group). O motivo alegado? A péssima repercussão de seu último disco, o sensabor “Discipline”, teria sido causada por pouca divulgação. Até aí tudo bem, mas vamos pensar um pouco?
Não é simplista jogar a culpa do fracasso de um trabalho ruim na gravadora? Isso não soa um pouco irônico quando já se tem dois insucessos anteriores? E que por sinal foram o estopim para o companheiro da cantora, Jermaine Dupri, pedir demissão em finais de 2006 da Virgin, o selo anterior de Janet?
Aproveitando o momento de reflexão: Já que a moça está numa onda de querer provocar, não seria uma boa mandar seu personal stylist para o olho da rua?
Porque se achar elegante de moicano pós-moderno, gueixa frutacor, colegial streetwear e executiva piquenique é muito pra qualquer humano.
A Indústria Fonográfica está em frangalhos, e isso não é novidade para ninguém. As vendas de CDs despencam a cada ano, seja no Brasil ou em qualquer parte do mundo. Culpa de quem? Não, os culpados não são os usuários que baixam discos completos ou faixas pela internet; ou muito menos os camelôs que vendem cópias mal feitas em bancas. O verdadeiro vilão é, por mais que não pareça, o próprio mercado.
O que houve foi uma mudança sistemática na mentalidade do público, que passou a enxergar a diferença entre escutar e comprar música. Com a popularização de conexões mais rápidas, ninguém mais é obrigado a comprar um disquinho de acrílico para escutar essa ou aquela canção. Você entra na internet, e com no máximo três cliques já pode ter uma série de faixas em seu computador, e depois, passa-las para um player.
Elis Regina e Tom Zé terão material disponibilizado gratuitamente e de forma legal pela gravadora TramaA gravadora brasileira Trama já está há tempos de olho nisso, mas não como suas companheiras, que vêem os downloads com maus olhos. Com o sucesso do projeto “Trama Virtual”, a companhia discográfica viu que pode lucrar bastante com as mudanças, e abrir espaço para uma nova maneira de consumir música.
O público que está disposto a comprar CDs já é um nicho; e, quem os compram, não fazem mais no escuro, já chegam com o material degustado antes. Sabem as faixas que gostam e as que desprezam. Nada mais justo disponibilizar gratuitamente seu acervo para que as pessoas escutem, e assim, decidirem se vão consumir ou não determinado trabalho.
De início, estará disponível a discografia de Elis Regina, o maravilhoso “Racional 1” de Tim Maia e novo disco de Tom Zé. O projeto se chama “Álbum Virtual”, e começará dia 20 próximo com “Danç-êh-sá: Ao vivo”, de Tom Zé. Além das faixas, o usuário poderá baixar a capa e alguns materiais extras.
E de onde virão os louros? Da venda dos CDs, contratos publicitários e licenças comerciais. É possível que aumentem as vendas de discos físicos, as visitas ao portal da gravadora gerarão mais publicidade e as músicas mais populares perante ao público vão requerer mais licenças de execução. Uma mudança importante, que todas as gravadoras deveriam perceber. Adaptação, essa é a fórmula do sucesso, seja ela em qualquer meio.
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